sábado, 13 de janeiro de 2007

I. «Foi uma vez, em Amesterdão…» (2.ª parte)

Jordaan

Adoravas pintar, tinhas muito talento, todos o diziam, e isso era tudo o que te importava. Mas não bastava. O gosto pela pintura, esse não terá esmorecido nem um pouco, apesar de todas as contrariedades, mas o resto, que também te convinha e muito, continuaste a ignorá‑lo. Uma teimosia com a mesma força da obstinação ou da perseverança. A visão da mítica Paris dos artistas surgiu‑te então como a oportunidade que duas vezes seguidas te fora negada. E partiste, contra tudo e contra todos, em busca do teu sonho. A cidade há muito que deixara de ser a Meca dos artistas, da boémia e dos sonhos inspirados em vidas triunfantes arrancadas a limbos de miséria e de sobrevivência rasa, depois de longos anos de custosa labuta. Mas tudo isso eram já apenas histórias longínquas, mortas e enterradas, que só ressumbravam em biografias de artistas há muito consagrados. A menos que, no teu íntimo, ainda embalasses o sonho de um futuro de sucesso à Vieira da Silva, pelo qual muito terias que batalhar...

O fascínio pelos ídolos vitoriosos tem quase sempre um efeito que todos os que se deixam ludibriar ignoram ou negam. É que por cada um que trava a batalha e vence, há pelo menos umas largas centenas de anónimos que ficam pelo caminho e não constam de nenhum relato, por muito audazes e persistentes que tenham sido no seu labor. O anonimato é sem dúvida a melhor recompensa oferecida às multidões. Inquiri porquê Paris, e não Londres ou Nova Iorque, mas não soubeste ou não quiseste explicar. Porque sim. Ias pintando com o mesmo entusiasmo, mas dias inteiros de trabalho em bares e cafés dos subúrbios deixavam‑te sem energia para atravessares noites e madrugadas em frente de um cavalete mal iluminado, de paleta em punho, a fazer experiências, a tactear caminhos e a inventar soluções. Sem dares por isso, foste ficando refém de Nanterre e do café por onde os teus dias se iam arrastando e os teus sonhos escorrendo, cada vez mais adiados. Nem o pouco Francês que sabias conseguiste melhorar. Para a tua geração, aprender línguas na escola foi miragem que se esfumou com os sucessivos avatares do ensino. A minha parece ter sido a última a escapar mais ou menos incólume aos desmandos experimentalistas de fraca valia e nenhum proveito. Não saías daquele subúrbio para lado nenhum e, quando um dia acordaste e fizeste as contas, não ias a uma exposição, não entravas num museu, nem sabias nada de futuros caminhos possíveis há quase um ano. Deixaras cair os braços e acomodaras‑te. Num fim‑de‑semana em que finalmente resolveste regressar ao circuito das artes, por feliz acaso conheceste uma pintora holandesa que te falou empolgada do meio artístico de Amesterdão e te fez encarar de frente a possibilidade de te mudares para norte.

Recuperaste o ânimo e um mês depois instalaste‑te no estúdio dela, no bairro artístico de Jordaan, próximo do Brouwersgracht, e regressaste à pintura com uma vontade renovada e redobrada que julgavas perdida. Sentias‑te no sítio e no caminho certos, já longe de subúrbios tristonhos e esquecidos, semidestruídos ou semiconstruídos, atravancados de estaleiros de obras infindas, lamaçais e restos de paisagens de apocalipse. Vivias agora numa cidade das artes e num bairro de artistas. Começaste pouco depois a trabalhar no «De oude boom» e, poucos meses mais tarde, já tinhas o teu próprio espaço, uma exígua mas acolhedora mansarda a duas ruas do estúdio da mecenática amiga. O trabalho no café nem era pesado, pelo que pudeste dedicar‑te com afinco a pesquisas e experiências para melhor te conheceres e definires. Cor e forma, linha e traço, risco e mancha, volume e textura, luz e sombra, cromatismo e claro‑escuro e tudo o mais que aquele momento sorridente te ia propiciando. Mas ainda não te compenetraras de que uma formação mais vasta e envolvente continuava a ser necessária, e faltavam‑te os contactos tão úteis com outros pintores, galeristas, coleccionadores e marchands. A amiga mecenática ia‑te ajudando, mas a coisa não estava fácil. Quando o barco por fim acostou, remataste a história com o mesmo desembaraço com que a começaras. «Como vês, nada de especial. Um caminho mais ou menos difícil, igual ao de tanta gente

Duas semanas mais tarde chegou a minha hora de partir, e já decidiras que também regressarias de vez comigo a Lisboa. O nosso envolvimento parecia não consentir alternativa, e a possibilidade de continuarmos juntos alegrou‑me tanto que comecei também eu a acreditar que a vida podia mesmo recomeçar aos quarenta. Não há nada mais difícil do que nos ser dada uma oportunidade. Depois de dois casos firmes e estáveis, duas relações‑de‑facto‑quase‑casamentos, as sucessivas ligações desbaratadas haviam transformado o crente inicial num espectador sem expectativas, mas o alento da esperança fazia‑me agarrar com ambas as mãos a oportunidade que parecia vir já fora de tempo. Ainda antes de partirmos, num imbecil repente racionalista de que logo me arrependi, tentei convencer‑te de que talvez não fosse fácil instalares‑te de novo em Lisboa, quase cinco anos depois de uma partida decidida pela desilusão e pelo desencanto, e que seria importante repensares atitudes e comportamentos que aparentavas querer manter inalterados, caso quisesses recomeçar a uma luz mais propícia aos teus intentos. Era apenas uma opinião minha, mas apresentei‑ta como a verdade inabalável de uma prédica. Um erro de que já me arrependera no passado, mas que uma racionalidade pressurosa e precipitada me fez repetir, uma vez mais. Quando me calei e fixei o teu olhar dardejante, percebi que era tarde demais para retroceder. Estava dito. Passou‑te pelos olhos uma névoa gelada que não quiseste esconder. Tinhas razão. Mas tão‑pouco me apercebi então de que quisesses castigar‑me por aquele meu acto tão irreflectido.

RIC

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

A few of my favourite things…

Laughing – so hard my face hurts – with good friends.
A long, warm shower.
Falling in love all over again.
Almost no one at the supermarket.
A special glance, a nod or a wink.
Getting (e-)mail.
Crossing the Tagus by ferry at sunset.
The morning sun on my face.
Lying in bed listening to the rain outside.
Hot towels fresh out of the dryer.
A large cup of aromatic coffee.
Wanking in bed after waking up from a wondrous dream.
A good, long conversation.
A long deserted beach.
Finding "forgotten" money anywhere around the house.
Laughing at myself.
Fresh bed linen.
Diving in the ocean on a hot summer day.
Giggling and laughing for absolutely no reason at all.
Accidentally overhearing someone say something nice about me.
Waking up and realising I still have a few hours left to sleep.
Having someone play with my hair.
Long, sweet dreams.
Good reading on a Saturday morning.
Swinging on swings just like in my childhood.
Making eye contact with a stranger.
The smell of freshly baked bread or of a toast.
Holding hands warm and firm.
Running into an old friend and realising that some things never change.
The expression on a friend's face as he's opening a present from me.
Watching the sunset.
Going for a walk on a foggy evening and enjoying the concentrated scents.
Getting out of bed in the morning and being grateful for another day with a purpose.
Knowing that somebody misses me.
Getting a hug from someone special.
Knowing I've done the right thing.

This list is closely inspired by a blogger friend's one.
Thanks a lot, Chris! Hopefully you won't mind so much that I stay so close to your «Natural Highs». Maybe that's a good omen…
And as I've been a little feverish these last few days, I guess you'll understand why this song came back to my mind all over again …
Yes, a little bit delirious… Back to my childhood…


«Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woollen mittens
Brown paper packages tied up with strings
These are a few of my favourite things.

Cream coloured ponies and crisp apple strudel
Doorbells and sleigh bells and schnitzel with noodles
Wild geese that fly with the moon on their wings
These are a few of my favourite things.

Girls in white dresses and blue satin sashes
Snowflakes that stay on your nose and eye lashes
Silver white winters that melt into springs
These are a few of my favourite things.

When the dog bites
When the bee stings
When I'm feeling sad
I simply remember my favourite things
And then I don't feel so bad.»

RIC

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

«Foi uma vez, em Amesterdão…» (1.ª parte)


O que terá sido aquela Primavera em Amesterdão – memória cada vez mais ténue, mais sombria – é a pergunta que me fui repetindo sem cessar, e à medida que a dúvida ia aumentando, a resposta tornava‑se mais evasiva. Era Abril. Um frio desconsolado e húmido permanecia colado às roupas e ao corpo, e um sol de gelo reverberava igual a vidro estilhaçado na água das poças que as buien, aqueles constantes e intensos aguaceiros da Primavera neerlandesa, mantêm cheias nos passeios e nas ruas. Saí do Museu Real Vincent van Gogh a meio da manhã com o desejo irresistível de beber um bom café bem quente, na condição inegociável de ser preparado à moda do sul. Um saboroso e bem servido café duplo, a ver se me aquecia a alma e afastava de vez aquela sensação de humidade pegajosa e fria agarrada à pele. A razão de um desejo tão forte estava também naquelas telas cheias de cor e de luz que me haviam iluminado a manhã. As paisagens do sul ao sol forte e as cores quentes e secas, tão ausentes daquele norte tão invernoso e molhado, acicataram ainda mais o desejo intenso e repentino de sol e de sul. Uma saudade.

Seguia ao longo do Singelgracht e procurava um bar ou um café onde me pudesse enfim sentar e descansar um instante, depois da longa caminhada pelo museu. Cheguei a pensar que só sairia de lá a meio da tarde, tantas eram as telas para apreciar com toda a calma, ao longo de um número infindo de salas e mais salas. E numa esquina, do outro lado do canal, avistei por fim um café. A poucos metros havia uma ponte que depressa atravessei e fui‑me aproximando. Tinha um nome curioso, com que entretive o espírito – «De oude boom» – a velha árvore. Havia realmente uma grande árvore em frente, de aparência centenária, mas em Inglês aquele nome fazia‑me sonhar com estrépitos, aumentos, expansões e crescimentos. Agradou‑me a divagação. Entrei e sentei‑me a uma mesa com vista para o canal e a ponte, ocasião rara numa grande cidade, e começava a apreciar a paisagem, enquanto soava em fundo o concerto La Primavera de Antonio Lucio Vivaldi. Havia mesmo que invocá‑la com insistência, fui‑me dizendo, que ela parecia esquecida da cidade e do país. E nisto já tu me perguntavas «can I help you?» Não, de ajuda não precisava, pensei, mas tão‑pouco era esse o sentido da pergunta. O que eu precisava, disse, era de um bom café preparado à moda do sul, se houvesse ali alguém que o soubesse fazer. «Eu vou‑lho preparar, sei bem como é, à francesa, não é?» Não é bem, é um bocadinho mais para sul, respondi sem querer adiantar pormenores. «Ah bom, à italiana?! Um espresso então!» Ah não! Tudo menos um dedal de café! Nem pensar! Queria uma chávena bem grande e bem cheia, e o café de máquina com aquela espuma cremosa e muito aromática como o espresso, mas não tão forte. Um café duplo, ou um abatanado, como se diz em Lisboa, ou o que for, saiu‑me por fim sem dar conta. E, como se naquele instante um raio me fulminasse, a tua resposta pronta fustigou‑me. Num português sem sotaque, que eu estava longe de ouvir ali, naquele café, disseste «é pra já, perfeitamente», ao mesmo tempo que um sorriso solar se espraiava pelo teu rosto. Fiquei um instante atónito, mas logo me recompus. Afinal, sempre encontrara portugueses nos cantos mais remotos do mundo. Encontrar‑te ali não era motivo de espanto. Naquela cidade, tão diversa e tão cativante, agradou‑me a ideia de poder falar com alguém em Português, depois de quase um mês de silêncio forçado. Não era muito o serviço àquela hora, e ficámos ao balcão a conversar até ao almoço, quando acabaste o teu turno e propuseste irmos a um restaurante de um teu amigo, no Damrak. Quando saímos, começou em fundo suave a sinfonia Le Midi, de Franz Joseph Haydn. Batiam certo, o relógio musical com o de pulso. Pelo menos, com o meu.

Já não ameaçava chover, e por entre nuvens leves que se iam dissipando começava enfim a romper um sol que era sol e que, ao bater‑te em cheio no rosto, me fez sentir um alvoroço que não pude disfarçar. Um belo rosto oval de traços bem definidos, um cabelo ondulado e solto de um invulgar louro dourado muito mais luminoso do que aquele sol desmaiado, um nariz rectilíneo, fino, perfeito, uns lábios desenhados e cheios, com um trejeito trocista que se pressentia a todo o momento no sorriso e uns olhos que riam antes do sorriso, gaiatos, grandes, levemente amendoados e de um azul mais intenso que qualquer céu estival do sul. E as mãos, ah as tuas mãos, essas só poderiam ser servas de uma qualquer arte! Ao moverem‑se, ao pousarem sobre um objecto, iam desenhando no ar figuras breves e discretas, naturais e elegantes, graciosos arabescos rendilhados, até se imobilizarem e o encanto do instante anterior se desvanecer como por magia, como se não se tivessem sequer mexido. Assim se desatou a sedução, que mais não era preciso. Nunca nos viramos para trás no preciso instante em que o destino, ou o que for, nos desafia. A descoberta do corpo, que fazia jus ao rosto, ficou para mais tarde. Mas não muito. Quem engonha, envergonha. Tinhas pouco mais de trinta anos, mas ninguém te daria mais de vinte e poucos. Quando acabámos o almoço, não sei se ainda estava apenas enlevado e enamorado, se era já uma paixão de labaredas atiçadas que me consumia sem remédio. Rendi‑me.

Os dias seguintes foram de revelação. Eu, de mim e do caminho que me levara ali, e tu, de ti e do percurso que te fizera trocar Lisboa por Paris e, depois, por Amesterdão. Entre os passeios pela cidade e os afazeres profissionais, fomo‑nos desvendando em conversas infindáveis a passo acelerado de corrida, e do teu passado fiquei a saber o que a memória me permitiu reter. Deve ter sido este também o teu sentir, mas nunca poderei sabê‑lo. Um lento passeio de barco pelo Amstel e pelos grachten, aqueles estreitos canais urbanos e ruas aquáticas adjacentes, foi o cenário escolhido para ouvir a história dos teus cinco longos anos de viandante. Uma primeira entrada falhada em Belas‑Artes deixou‑te um confuso sentimento misto de impotência, raiva e culpa, sem saberes o que fazer com o vazio que de repente se abria à tua frente. A adolescência já estava longe, mas a juventude era ainda recente, e voltaste a tentar no ano seguinte. E de novo foi o fracasso. Vergaste‑te à frustração e não quiseste reconhecer que aquela admissão, além de dotes artísticos que claramente revelavas, dependia também de conhecimentos e saberes que recusavas aceitar como necessários. Terá sido sempre esta a tua fragilidade, a fraqueza de toda uma geração que se deixou convencer que a vida é um despreocupado passeio de namorados ao sol primaveril por um jardim sempre florido. Nada se aprende ou se obtém, na escola como na vida, a não ser que se queira. E querer é esforço. O lúdico vem depois, com o contentamento radiante da descoberta e do triunfo, que leva sempre mais além, a uma nova descoberta e a um novo triunfo. É esta a subtil diferença essencial entre o sacrifício absurdo e escusado, que escraviza, e o trabalho aturado e construtivo, que liberta.

RIC

[A 2.ª parte, ainda esta semana.]

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

O fascínio de «As Origens da Arte»






… diz-nos o seguinte (mesmo tendo corrigido o texto, mantenho as aspas…):

«Uma extraordinária viagem às origens da arte!

Uma série documental em 5 episódios que nos leva numa viagem extraordinária através dos cinco continentes, ao longo de 100.000 anos e nos conta a história como a arte antiga abriu o caminho para aquilo que é o nosso mundo actual.

Acompanhando tudo – da pintura rupestre à cerâmica, das pirâmides aos palácios, dos ícones aos artefactos –, esta excelente série revela a maneira como os humanos sempre fizeram arte, explorando os maiores tesouros do mundo antigo.

Revela ainda verdades universais acerca do modo como foram criadas imagens, combinando história, arqueologia e neurobiologia e também uma história que envolve as artes de África, Austrália, Américas, Próximo e Extremo Oriente, bem como o mundo clássico da Europa Antiga.»




… offers the readers the following summary:

«Programme 1: More Human Than Human…
One image dominates our contemporary world above all others: the human body. "How Art Made the World" travels from the modern world of advertising to the temples of classical Greece and the tombs of ancient Egypt to solve the mystery of why humans surround themselves with images of the body that are so unrealistic.

Programme 2: The Day Pictures Were Born
The discovery of prehistoric cave paintings in the last century led to the shocking realisation that humans have been creating art for over 30,000 years. "How Art Made the World" reveals how the very first pictures ever made were created, and how images may have triggered the greatest change in human history.

Programme 3: The Art of Persuasion
The visual devices used by Tony Blair and George Bush to get themselves elected and maintain power, come not from modern times, but a world that is thousands of years old. "How Art Made the World" ventures back to the creation of Stonehenge and the reign of Alexander the Great to reveal how imagery became an indispensable weapon in every leader's political armoury.

Programme 4: Once Upon a Time
Each year over seven billion people across the world are drawn to see the latest feature films in the cinema. This episode reveals how the most powerful storytelling medium ever created exploits visual techniques invented by artists in the ancient world.

Programme 5: To Death and Back
Today in the 21.st century people see fewer real dead bodies than at any time in history. Yet in the modern world we seem almost obsessed with images of death. In an investigation encompassing ancient Jericho, Aztec America, and classical Italy, "How Art Made the World" discovers what it is that has compelled human beings to surround themselves with images of death for thousands of years.»

Compare and ponder…
Comparem e reflictam…

RIC

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

(Um)a imagem de mim…














Reservado mas comunicativo, com alguma abertura para a novidade e sentido de humor, por vezes até histriónico; tento sempre o diálogo e sou genuinamente bem-educado para com todos sem excepção, rico ou pobre, culto ou inculto, inteligente ou não; sou amigo dos meus amigos e acredito que só a verdade é bela; tento ser inteligentemente coerente, pelo que não me custa alterar uma convicção, uma vez claro no meu espírito que é esse o caminho a seguir; tenho consciência dos meus defeitos, falhas, incoerências, o que não significa que os consiga superar quando devo – outra falha; detesto a injustiça e a mentira, sobretudo quando perversamente manipuladas por poderosos para benefício próprio e desvantagem de desvalidos; culturalmente cristão, inconformado e desiludido com o catolicismo, sobretudo no tocante a dogmas de figurino iminentemente humano ou ocultadores de ínvias intenções; assaltado com frequência pela dúvida de que o saber não é sinónimo de aperfeiçoamento; ardo facilmente nas paixões que ateio e não controlo, mas amo com a maior serenidade, tanta que por vezes bloqueia a sexualidade; duvido dos meus atributos de sedutor; raramente achei ter motivos para ser ciumento; faço do saber (e, talvez menos, da sabedoria) o caminho principal da minha vida e faço muito gosto em partilhar o que sei; sou rígido na defesa das minhas ideias; prefiro o respeito à tolerância; caio facilmente na ingenuidade que raia a estultícia; sou defensor dos Direitos Humanos, pelo reconhecimento do valor social das minorias e sou contra a discriminação negativa com base em etnia, religião, género, cultura, estatuto socioprofissional, etc.


Obrigado, Thiago, pelo desafio indirecto!

RIC


Antínuo

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

II. Rainer Maria Rilke (5)


– XXVII (Zweiter Teil)

Giebt es wirklich die Zeit, die zerstörende?
Wann, auf dem ruhenden Berg, zerbricht sie die Burg?
Dieses Herz, das unendlich den Göttern gehörende,
wann vergewaltigt's der Demiurg?

Sind wir wirklich so ängstlich Zerbrechliche,
wie das Schicksal uns wahr machen will?
Ist die Kindheit, die tiefe, versprechliche,
in den Wurzeln – später – still?

Ach, das Gespenst des Vergänglichen,
durch den arglos Empfänglichen
geht es, als wär es ein Rauch.

Als die, die wir sind, als die Treibenden,
gelten wir doch bei bleibenden
Kräften als göttlicher Brauch.

– Versão Portuguesa

Existirá de facto o tempo, o que destrói?
Na montanha em repouso, quando desfaz o burgo?
E o coração? – Sempre dos deuses foi,
quando é que o violenta o demiurgo?

Seremos nós tão frágeis de ansiedade,
como o destino o diga, – ou nos iluda?
Será a infância, a funda, a promissora idade,
nas raízes – mais tarde – apenas muda?

Ah, o fantasma que o transitório habita,
atravessa o coração desprevenido,
como se apenas fumos que deslizam.

Quando o que somos, se nos precipita,
e às forças permanentes é servido,
como aquilo que os deuses utilizam.

Vasco Graça Moura

– English Version

Does Time the Destroyer really exist?
When, on the mountain, will it bring down the fortress?
When will the demiurge overpower this heart
that belongs to the infinity of the gods?

Are we really so frightfully fragile
as Fate would have us believe?
Does the promise of childhood, the depths,
remain later quiet in the roots?

Ah, the ghost of that which is transient;
it passes through the guileless receptive ones
as if it were but a bit of smoke.

As that which we are, the driving ones,
still we are considered a custom of the divine
by the powers which do not change.


I. Da Língua Portuguesa (5)


"Ein jeder, weil er spricht, glaubt, auch über die Sprache sprechen zu können."

Qualquer um, porque fala, julga que também sabe falar sobre a língua.

Johann Wolfgang von Goethe

«Ao entrar no avião sou mais uma vez surpreendido pela música de bordo. Ouve‑se a Valsa n.º 2 da Suite de Jazz de Dmítri Dmítrievitch Chostakóvitch, que me traz sempre à mente, só Deus saberá porquê, um carrossel de feira já velhinho, a girar a uma cadência que não pára de soar, roufenha e desafinada. Um número circense a bordo até que teria o seu encanto…

Pego num exemplar do único diário português disponível. Há quase uma quinzena que não vejo um jornal português, e isso predispõe‑me à leitura, mais até do que as notícias de casa. Nem mesmo o facto de ser um tablóide que não costumo ler diminui a minha curiosidade, ansiosa por leitura fresca. Mas depois de vistas as gordas na diagonal, como faço por hábito num primeiro ataque à mole de notícias, o interesse esfuma‑se, e um desencanto antigo, quase esquecido, volta revigorado de um recanto ignorado do espírito.

A razão está menos no conteúdo das más notícias que nos desconchavos de um vocabulário catacrético muito em voga e de um discurso pernóstico repetido por todos em toda a parte, mais‑que‑vazio, com traduções marteladas pelo meio e um domínio absoluto do portunglês. Um dia destes, ainda algum criativo, vanguardista e inovador, dirá que os resultados de um adversário são piolhosos, apenas porque a idiomática anglo‑saxónica considera que mau e piolhoso se equivalem. Pois é. Cada um vê o mundo como pode…

Então é assim. Tudo está em cima da mesa, nomeadamente pacotes disto e daquilo, e tudo é para implementar, se devidamente agilizado. E tudo tem sempre grande impacte sobre tudo.
O sussurro mais anódino é evento ou problemática que marca a agenda e tem de ser fenómeno transversal a qualquer coisa. Por tudo e por nada há que criar uma cultura disto ou daquilo, segundo este ou aquele vector, porque tudo é incontornável nas suas vertentes que são ora estruturantes ora fracturantes, mas que, uma vez elencadas, são sempre espectaculares.
Tudo é objecto de paixão e congrega sinergias que, a propósito e a despropósito, geram muita adrenalina, o que é uma janela de oportunidades e pode ser uma mais‑valia muito gratificante para todo aquele que é garante de excelência e cujo perfil denota uma postura cinco estrelas

"Que ferro!" diria decerto Eça.
O meu enfado cresce além do suportável, atiro nauseado o jornal para o assento do lado e reservo o pouco interesse que ainda me resta para quando chegar a Lisboa.
Será que vou encontrar alguma coisa melhor?»

(Ficção inédita)

RIC

domingo, 7 de janeiro de 2007

«Casablanca» (1942)






"As Time Goes By"
Music and lyrics by Herman Hupfeld

You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.

And when two lovers woo
They still say, "I love you."
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by.

Moonlight and love songs
Never out of date.
Hearts full of passion
Jealousy and hate.
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny.

It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.

Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.


The ultimate classic movie!
One of those few films you can watch over and over again, and every time you'll find something you hadn't noticed before.
In fact, the more times you see it, the better it gets…
Now you all know I'm a hopeless, incorrigible romantic…

RIC(K)...

sábado, 6 de janeiro de 2007

II. Seeking some solace…


«Johannes» (crayon) by Hans Peter Sfiligoi

Wer nie sein Brot mit Tränen aß,
Wer nie die kummervollen Nächte
Auf seinem Bette weinend saß,
Der kennt euch nicht, ihr himmlischen Mächte!

Who never ate his bread in sorrow,
Who never spent the midnight hours
Weeping and waiting for the morrow,
He knows you not, ye Heavenly Powers!

Johann Wolfgang von Goethe

"Wilhelm Meisters Lehrjahre" –
"Wilhelm Meister's Apprenticeship" –
"Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister"

(Wilhelm Meister é um caso em que a tradução de antropónimos é perfeitamente possível sem que soe ridículo – William Master / Guilherme Mestre.)

RIC

I. «Out Of Africa» / «África Minha»

Baroness Karen Christence Dinesen Blixen‑Finecke / Isak Denisen / Meryl Streep –

– "You see, I had a farm in Africa at the foot of the Ngong Hills. But it really began before that; it really began in Denmark. And there I knew two brothers. One was my lover, and one was my friend. I had a farm in Africa… I had a farm in Africa at the foot of the Ngong Hills. I had a farm in Africa…"

I shall never forget these words for as long as I live!

Meryl Streep turned into an African queen before my eyes. In the bush country of Kenya, from seaside Mombasa to Nairobi, from Mount Kenya to Kilimanjaro, as told from the lyrical, poetic viewpoint of Isak Denisen.

And Robert Redford, the unique Denys George Finch‑Hatton!
Well, I'd rather not go into details now…
I'm sure this is one of his best appearances on screen ever. In every way…

Nor shall I ever forget the wondrous soundtrack!
That second movement – Adagio – of the Concerto for Clarinet and Orchestra in A major, K. 622, will stay in my heart, in my mind, in my soul, for as long as I live.
If I'm advertising for Mozart, is that your question?
Always!
I'd do it my whole life through.
And for doing so I'd gladly pay on top!

Sorry for being somewhat nostalgic, but you know, to me it's as if this film had been released a few months ago, not back in 1985…
I have such great memories of it! And about it, for all it matters…
I'd watch it time and time again, many times in a row…

I hope and wish you would too...

RIC

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

«Um Altar da Minha Infância»


Sobretudo de Verão, quando ao fim do dia o calor opressivo dava algumas tréguas tépidas até à manhã seguinte, sentava‑me àquela janela – um altar da minha infância – e deixava‑me ali ficar, no embalo da luz que se escoava, a contemplar a serena transformação da paisagem da foz do Tejo…

Ainda hoje o faço. Já sem aquela devoção, debruçado de outro altar, mas com a mesma reverência, como se esteja a celebrar um acto pleno de significado para mim e para o mundo.

Àquela hora, arrebatam‑me os volumes arredondados das colinas transpontinas que encaminham o rio para a libertação, como maternas mãos que deitem a criança adormecida.

À medida que em terra se vão acendendo as luzes, o rio vai empalidecendo e, aos poucos, como um espelho, vai imitando a transfiguração do céu que o cobre.

De um fundo sem lugar vêm vindo à tona daquela toalha de água estendida sobre o meu altar tonalidades cada vez mais escuras, que se vão fundindo com as daquele céu a fechar‑se.

O azul forte do dia claro e sem vestígio de nuvens vai decaindo primeiro para o anil, depois para o violeta que se acinzenta, logo passa a cinza baço e depois a negro, a oriente.

A ocidente, irrompe uma breve mas violenta convulsão de vermelhos, laranjas fulvos, dourados brilhantes e ocres fortes.

Quase suspendo a respiração perante tanta beleza no mistério desta hora mágica. Ou tanto mistério na sua beleza, o que é igual.

As formas vão‑se dissolvendo em cascata, como se ruíssem em silêncio, sem dimensão, e já só variam alguns tons de anil forte e cinza.

Ao de leve, cores e formas, contornos e volumes, diluem‑se no negro que tudo vai escondendo.

As luzes acesas – estrelas em terra – vão‑se apropriando dos espaços que de dia dão forma à paisagem e diferenciam os lugares.

De súbito, o negro ocupa tudo.

A ponte é uma grinalda reluzente a engalanar a cidade contra o negrume que a oculta.

A perder de vista, reverberam halos de miríades de luzes coloridas, outras tantas cintilações de estrelas ancoradas em terra, ao despique com as muitas do céu que vogam à tona de um oceano negro retinto.

O Tejo desaparece.

É noite.

RIC

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

II. Lisbon-Dakar Rally 2007

I've never been that much into cars or motorbikes or any kind of wheels, for all it matters.
If there's an English verb that relates me to them is "dislike".
Only psychological and psychoanalytical explanations made me understand – only to a certain extent, I confess – what people (especially men) generally see in cars, be it their own or those they dream of their whole lives through…
When the departure to such an adventure as this rally has already proven to be happens to take place only a few hundred meters away from my place, menacing to drastically alter my daily routine, then I believe I have all the more reasons to get mad at this kind of events, not to mention fuel consumption, pollution, and so on, and so forth…
But just in a few days they'll all be crossing sandy deserts, rocky deserts, lunar landscapes, putting their abilities to the proof… I get reminded of "A Tea In The Desert", "The English Patient" among other great films, and I forgive them…


Competition calendar

3.rd and 4.th January 2007 – Administrative checks and scrutineering.

5.th January a.m. – Administrative checks and scrutineering.

5.th January p.m. – Briefing assistance.

5.th January evening – Competitors briefing.

From 6.th to 20.th January – Crossing of Portugal, Spain, Morocco, Mauritania, Mali and Senegal.

21.st January – Finish, prize giving, and evening party.

If you happen to be a fan – or a fanatical admirer – of motor sports, enjoy the event lavishly! I rest my case.

RIC

I. «Por Uns Olhos Glaucos» (2.ª parte)


As minhas mãos voltaram a percorrer aquele corpo que horas antes me pusera em brasa, alucinado. Aos poucos, ia‑me lembrando cada vez melhor e com mais pormenores, mas com afinco fazia por esquecer, para que tudo recomeçasse do zero absoluto e a descoberta fosse perfeita. Algures havia ainda uma réstia do doce sabor daquela boca que se mantivera intacto, e um beijo mais longo redescobriu‑o e recuperou‑o, pondo em marcha o processo de interdição da mente. O pescoço, os ombros, o peito, o ventre, as ancas, as nádegas, as coxas, aquelas coxas perfeitas e firmes, cuja beleza de linhas e volumes se oferecia aos meus olhos e às minhas mãos como ansiado veneno, todo aquele corpo me lançou numa devassa desabrida.

Não é só na lareira que o lume se ateia e arde vivo. Colcha, edredão e lençóis voaram pelo quarto para bem longe, levados por um vendaval de fogo que soprava dos nossos corpos enlaçados à luz suave da entremanhã. Nem lábios nem mãos queriam obedecer. Consumar ou interromper ali mesmo o desvario era a hesitação aflitiva, quase asfixiante. Ainda lancei um olhar enviesado ao relógio e entrevi os ponteiros, mas fechei os olhos para sentir melhor o aroma intenso por apenas mais um instante. Um só.

E toda a sensatez naufragou naquele mar de esmeralda sem fundo, arrastada pela vontade férrea de uma âncora impiedosa. Afogou‑se sem sequer se debater. Os nossos corpos envolveram‑se numa dança sincopada e revoltosa, coreografada por dois puros instintos em delírio, cada um antecipando o passo que o outro daria em seguida. Abençoados os que a morte arrebata em plena dança. Decerto acordarão anjos bailarinos no paraíso. E mais uma deliciosa descarga eléctrica, potentíssima, deixou‑me em curto‑circuito intermitente todos os músculos retesados, da cabeça aos pés, ora contraídos em espasmos de dor indizível, ora relaxados em vagas relançadas de supremo prazer. Algo que se repete ao longo da vida e que nunca é igual. Ainda os torsos arquejavam ao ritmo do desejo saciado, ofegantes, e já eu me obrigava a lançar um novo olhar ao relógio.

Eram oito e meia. Por muito contrariado que me sentisse e com uma vontade crescente de adiar a partida, sabia que não poderia nunca fazê‑lo. Não queria de todo sair dali, mas era em Roissy que deveria pensar, onde tinha de estar por volta do meio‑dia. Não tinha mais tempo. Tantos nãos a minarem‑me o bem‑estar. Se chegasse atrasado ao aeroporto, arriscar‑me‑ia a ficar em terra, com um rol infinito de consequências nefastas entre as mãos, o que seria bem pior que aquela angústia sempre crescente. Uma estranha raiva começava a apoderar‑se de mim e tive de me dominar com esforço, se não queria começar o dia com um acesso de mau humor, que só me faria tropeçar nos próprios pés e confundir os passos que se impunham. Fixei aqueles olhos de esmeralda, e o efeito foi terapêutico. Muito a contragosto tinha de abandonar aquele corpo, deixar aquela cama, tomar um duche, vestir‑me, acabar de fazer a mala, pagar a conta, despedir‑me da Madame Rivier e deixar o hotel. Então sim, à mesa do pequeno‑almoço, talvez houvesse ainda tempo para conversar. Se acaso alguma conversa fosse ainda possível. Ou necessária.

Na place de l'Opéra despedimo‑nos atabalhoadamente como dois adolescentes confusos, depois de um pequeno‑almoço em que falámos mais do que comemos. O ar da manhã, soalheira e glacial sob um céu todo azul, era transparente a uma luz fria e crua que feria os olhos. Já conversáramos o que o tempo nos concedera e lamentáramos que tivesse sido tão pouco. Já trocáramos números de telefone e endereços postais e electrónicos para um possível futuro. Já faláramos de Lisboa, que afinal até conhece razoavelmente. Já percebêramos que poderíamos entender‑nos bem, talvez mesmo muito bem. Já deploráramos ter‑nos conhecido na última noite, à beira do fim do tempo, quais condenados a olhar sem ver, a provar sem saborear, sem consolação possível. «Partir c'est mourir un peu» (1) é uma óbvia verdade à Monsieur de La Palisse, mas não era por saber isso que a mágoa esmorecia.

Quis que o autocarro partisse logo, para que aquele desconforto acabasse de vez. Começava a ficar inquieto. Acanho‑me com despedidas íntimas em público, sobretudo se antevejo que possam ser entusiásticas e emotivas, por serem exteriorizações que suporto mal. Não me desagradam tanto porque sejam excessivas, o que é natural e sadio, mas porque a terceiros parecem insinceras, falsas até, e estes aparentem querer sempre escarnecer da expressão alheia de sentimentos por a considerarem um exibicionismo pueril e bisonho. Isso inibe‑me.

O autocarro estava estacionado do lado da place Diaghilev e do boulevard Haussmann, atrás da Ópera. Passados minutos infindos, arrancou enfim e, por trás do vidro, consegui soltar‑me um pouco mais e acenei uma desajeitada despedida sentida. Pela primeira vez, naquele instante o verde‑mar era a sua própria negação. Era tudo menos esperança. Custou‑me tanto desviar os olhos daquele olhar meio perdido...

E vieram-me à memória uns versos de Sophia: «Em fundo glauco de laguna ou vidro / E um pouco assim em nossa vida o duplo / Espelho sem perdão do não vivido / Caminha destinado a ser perdido.» (2)
_______________________
(1) Partir é morrer um pouco.
(2) Sophia de Mello Breyner Andresen, Ilhas, "Veneza".

RIC

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

João Magueijo and VSL…




"The world will not evolve past its current state of crisis by using the same thinking that created the situation." – Albert Einstein

João Magueijo is a cosmologist and lecturer in Theoretical Physics at Imperial College, London. He is a supporter of the Variable Speed of Light (VSL) theory of cosmology, which proposes that the speed of light was much higher in the early universe. It is presented as an alternative to the more mainstream theory of Cosmic Inflation. The model was first proposed by John Moffat, a Canadian scientist, in the early 1990s.
Magueijo presents a scathing critique of the scientific academia and discusses his personal struggles pursuing VSL in his 2003 book "Faster Than The Speed of Light. The Story of a Scientific Speculation".
He was born in 1967 in Évora, southern Portugal. He undertook graduate work and Ph.D. at Cambridge, and was awarded a research fellowship at St. John's College, Cambridge, the same fellowship previously held by Paul Dirac and Abdus Salam.

Like Einstein, João Magueijo has radical ideas, but his ideas intend to turn that Einsteinian dogma on its head. Magueijo is trying to pick apart one of Einstein's most impenetrable tenets, the constancy of the speed of light. This idea of a constant speed (299 792 458 meters/second or ±300 000 km/second) is familiar to anyone who is remotely acquainted with modern physics. It is known as the universal speed limit. Nothing can, has, or ever will travel faster than light.

Magueijo doesn't buy it. His VSL presupposes a speed of light that can be energy or time-space dependent. Before you declare that he's out of his mind, understand that this man received his doctorate from Cambridge, has been a faculty member at Princeton and Cambridge, and is currently a professor at Imperial College, London. He's a mainstream scientist whose mind is beginning to wander.

In his first book, "Faster than the Speed of Light", Magueijo leads laymen readers into the abstract realm of theoretical physics, with more flair and energy than Sir Hawking could ever muster. Leaning on several well known, as well as obscure, thinkers, Magueijo carefully builds the foundations for a discussion of Big Bang cosmology, and then segues into the second half of the book, which is devoted to VSL theory.

VSL purposes to solve the problems at which all cosmologists are forever scratching: those inscrutable conceptual puzzles that surround the Big Bang. Currently many of these problems have no widely accepted solutions. Attacking these conundrums with VSL, Magueijo shakes the foundations of the physics community, while pissing off many of his fellow scientists.

Ultimately, the validity and soundness of his ideas are beside the point. This book embraces the process. Its message is attacking difficult problems, asking bold questions, and searching out unexplored possibilities. It's this type of fresh and creative thinking that keeps science exciting and unpredictable. His mantra reads something like, "try new ideas, screw up, and try again."

This is exactly how science progresses. It's not some linear, stepwise process, steadily marching forward. That's how it's made to appear in the textbooks. In reality, it's experimentation and exploration. It's throwing around ideas, destroying old theories, salvaging the useful parts, and rebuilding. It's bouncing ideas off your peers, collaborating, in a process that can be just as painful as productive.

So, keep in mind that Einstein has been wrong before. Hubble succeeded in disproving Einstein when asserting that Einstein's static universe was actually rapidly expanding. Hubble had a crucial weapon that Magueijo lacks thus far: convincing empirical evidence. Hubble actually observed this expansionary movement by measuring light from distant galaxies. Until this day arrives for Magueijo, all is speculation.

In "Faster than the Speed of Light", VSL Theory seems to evolve from chapter to chapter. Can you update us as to its current state and (briefly) outline some basic ideas?

João Magueijo: Broadly speaking there are theories where the speed of light depends on its energy (colour) and others where it depends on space-time – and then you could mix the two. The former may explain why we see cosmic rays above a certain energy, in contradiction with the predictions of relativity. The latter explain the observations of variation in the "fine structure constant" in "old" light. Experiments seem to point to a mixture of the two types of effects. But it's early days…

With so many mysteries surrounding the mechanics of Big Bang – from the horizon problem, to its odd, short-lived physical laws – do you ever find yourself questioning the theory itself?

J. M.: Of course! You always question everything, "particularly" the new theory you are proposing.

The conflict between VSL and more traditional theory (inflation) hints at what TS Kuhn would call a paradigm crisis, where many versions of a theory proliferate. Is the puzzle-solving ability of the theory of inflation breaking down? Are any cosmologists proposing any other alternatives to an inflationary universe (aside from VSL)?

J. M.: Inflation was a good start. But it feels forceful, and there are indeed problems it does not solve. There are more alternatives to inflation beside VSL, e.g. the ekpyrotic universe of Turok and Steinhardt.

Ideas seem to present themselves to you while you are in strange situations or altered mental states. Do you need to break outside of your normal environment to think in un-ordinary ways?

J. M.: Thinking can be lateral or "sweaty". For the latter you're better off in an office and following a routine but for the former you have to be "out of your mind", so to speak. So although I recognize the merits of hard work, I find that my work goes stale if I don't go off wandering around the world every few weeks. My friends think I'm a gipsy, but that's when I do "part 1" of my best work.

You have learned to retain a certain respect for your predecessors and for history, reducing the shock value of your ideas (i.e. tossing out certain Einsteinian concepts and then deciding to account for them). Is this practice aimed to engage your sceptical colleagues, or did the historical foundations emerge as a true crux of your theory?

J. M.: If you go way out of mainstream science you can feel so lost that it's scary. In the end you need to come back to familiar ground, to leave it again. VSL followed this pendulum effect…

I repeatedly come across philosophers who equate the study of Big Bang cosmology with "appealing to the supernatural", and this is spawning some sort of reconciliation between science and religion. Are physicists beginning to consult theologians? Do you feel this could be productive?

J. M.: No, to either question.

Frontier Cosmology, by Brandon Pierce

RIC

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

«Por Uns Olhos Glaucos» (1.ª parte)


«A arte está para a vida como o esperma está para o sangue.»
Léon Paul Fargue

E foi num bar próximo do hotel, no quartier du Temple, que naquela última noite uns olhos glaucos iluminaram o espaço que era ainda meu na Cidade‑Luz.

Olhos claros sempre exerceram sobre mim a força de um poderoso feitiço, de um potente magnetismo. Não porque os ache mais belos que os castanhos ou os negros, mas porque me atraem de outra forma, sem que alguma vez tenha conseguido decifrar os motivos. Só os cinzentos me têm deixado indiferente, ao invés dos misteriosos garços, sempre raros, desconcertantes, de uma sedutora iridescência.

Apercebi‑me há já muitos anos desta atracção e tenho‑me interrogado vezes sem conta sobre o que me deixa suspenso daquele brilho metálico quantas vezes gélido, daquela claridade transparente, daquela profundidade insondável. Procuro explicar o inexplicável, dou‑me sempre mal com o propósito, mas volto fatalmente a percorrer o mesmo caminho sem saída, para de novo me confrontar com a desconcertante evidência de que aquilo que não tem explicação explicado está. Talvez a razão seja simples. São apenas muito diferentes dos que vejo todos os dias nos reflexos que os espelhos me devolvem. Há olhos castanhos e olhos negros de indizível beleza, mas nunca me senti tão inebriado, tão manietado, como pela força que emana de uns olhos claros.

É um baque repentino e sempre inesperado, que se repercute por todo o corpo como um raio que, ao fulminar, em vez de destruir, una. O coração a bater descompassado, o sangue a latejar nas têmporas, a visão por momentos toldada, a boca seca, as mãos húmidas e um frio antigo à flor da pele. É o velhinho coup de foudre. O azul intenso de um céu estival de safira ou, mais raramente, o verde profundo de um mar tranquilo de esmeralda parecem ser a reverberação preciosa que entrevejo em olhares ora suaves e ternos, ora incisivos e devastadores como se, desafiado por um absurdo fascínio até à desvairada rendição, me precipitasse por eles em abismos de almas, para explorar mundos interditos em busca não sei bem de quê. Talvez de um fogo, em que depois ardo de raiva, por mais uma vez não ter sabido nem mais nem melhor para escapar à armadilha, quando há muito o saber da experiência deveria já ter‑se imposto. O fascínio e a sedução conhecem ardis que todo o saber acumulado por todas as experiências é incapaz sequer de prever, quanto mais de precaver. E a queda é inevitável.

À parte o encanto de sortilégio que junta dois seres no instante de um olhar relanceado, nunca será a entrega sexual, mera troca de fluidos vitais, dizem alguns, que os fará conhecerem‑se. Quando muito, conseguirão captar o comprimento de onda um do outro, e então a sintonia poderá ser perfeita. Por mais estreito que seja o enlace dos corpos enredados, continuam a ser dois seres desconhecidos que se atraem e que vão agradando um ao outro num crescendo sem limites. Todo o resto, que é tudo, permanece secreto. A menos que aguardem dias, semanas ou meses até aceitarem a rendição física, o que me parece pouco provável e ainda menos recomendável.

Sensações são sensações e sentimentos, sentimentos. Nada impede que se juntem, mas encará‑los e lidar com eles em separado foi uma aquisição, uma conquista, para o bem e para o mal, apesar de o género masculino sempre ter praticado a destrinça, confessando‑o ou escondendo‑o, vangloriando‑se ou penalizando‑se. No género feminino, há muitas ainda, mesmo entre as mais jovens, que garantem que não, que anatomia, fisiologia e psicologia lhes traçam o rumo. Por mim, continuo a não acreditar. Química é química. Tautológico, mas não menos verdadeiro.

Quantas vezes, porém, o enlevo não se desmorona por inteiro como construção de areia desfeita por onda furtiva, naqueles instantes em que o abrir da boca para a conversa, livre dos meandros lentos do arreitamento, quebra o encanto do silêncio e se desata mais ou menos descontrolada. Quantas vezes, uma inoportuna inflexão da voz não basta para deitar tudo a perder e impor a indesejada certeza do equívoco. E o equívoco é, nestas circunstâncias, melindrosa, incómoda e vergonhosamente visível. Na idade das introspecções e das retrospecções, as dúvidas da adultícia (que poderá, dizem, culminar ou não em maturidade) substituem os porquês da infância e da adolescência.

Abalado pela surpresa nunca igual, interrogo‑me sempre pela primeira vez como é que a poderosa sensualidade suplanta e esmaga toda a sensatez que, noutras circunstâncias, me impede de perseguir quem não conheço e de me render sem reservas ao primeiro devaneio sensualão que me tolda o juízo e espicaça os sentidos. Em todas as línguas há todas as palavras com todos os cambiantes e todos os matizes para nomear o que bastará uma só para dar o tom certo, sem mitigar o que quer designar. É o desejo, esse contrabandista electroquímico que impõe a rendição absoluta e incondicional, que tem causado desastres históricos, sim, mas também tem lançado milhões e milhões na senda do bem ansiado – o amor, profundo mistério e magno desígnio da existência. O físico, o mais comum, mais fácil e imediato, ou o outro, o espiritual, considerado o mais valioso, complexo e duradouro. Mas nunca poderá saber-se o que se vai encontrar além da esquina que se está a um passo de dobrar. Se o bem supremo, se o mal insidioso. São os riscos de viver e estar no mundo. Tudo ponderado, ampliam as almas e acrescentam vida à vida. E enquanto assim for, está bem.

Entre os lençóis fui acordando envolto por um aroma diferente, num acesso de indolência suave e terna, como um gato que se estiraçasse sobre o teclado de um piano. Poderia estar a sonhar, mas foi a dúvida que me deu a certeza. Nos sonhos reais nunca me pergunto se estarei a sonhar. Devo ter caído no sono com as mãos atrás da nuca, porque as sentia meio dormentes, tal como os braços, percorridos por um suave formigueiro. Havia um perfume subtil ou um odor natural, não conseguia distinguir, que lembrava uma pitada de canela em mistura exótica com um vago aroma a maresia. Estava ainda ensonado, mas a memória foi‑me ajudando. Depois, foram uns olhos risonhos num rosto luminoso, os tais olhos glaucos com cintilações de esmeralda, uma boca promissora, uma covinha desconcertante no queixo, um indefinível tom de pele, um farto cabelo flavo e revolto e a suprema visão entre os lençóis de um corpo escultural de proporções perfeitas, apreensíveis mais pelo tacto, a trazer‑me à mente, naquele preciso instante, saberá só Deus porquê, a sucessão de Fibonacci e o seu lugar supremo entre tudo o que de mais belo houve, há e haverá. Só eu e o meu racionalismo obsessivo para me enlear em tais meandros. Pouco terá faltado para me lembrar então do que me ocorre agora. Que depois de Georges Bataille e Michel Foucault não ficou literalmente pedra sobre pedra no edifício do erotismo e da sexualidade.

A visão veio entretanto em meu auxílio e mostrou‑me um corpo ainda bronzeado do Verão passado, com as apetecíveis áreas a nu interditas às carícias solares. E a imaginação partiu à desfilada por aquele campo fora, naquela cama ainda meio velada pela penumbra da madrugada. Depois ainda, foi uma voz meiga, intensa e segura, de um timbre que me excitava e que me despertou de vez.

«Bonjour, tu as bien dormi?» (1) Mais do que devia. Aliás, nem sequer queria ter dormido. Podias ter‑me mantido acordado, não creio que fosse assim tão difícil. «Mais si, tout à fait! Hier soir, avant même que j'aie pu t'en dissuader, tu t'étais déjà soûlé la gueule. C’était déjà trop tard.» (2) Bom, está bem, mas também podias dizer isso de outro modo… «Tu crois vraiment que d'autres mots pourraient y changer grand-chose maintenant ? Si, par exemple, je t’avais dit 'bois avec modération' ? À quoi bon ? Ce serait la même chose, non ? Quel drôle d'idée !» (3) Calei‑me sem argumentos.
________________
(1) Bom dia, dormiste bem?
(2) Isso sim, de todo. Ontem à noite, antes mesmo que te pudesse demover, já tinhas apanhado um pifo. Tarde demais.
(3) Crês mesmo que outras palavras poderiam agora mudar alguma coisa? Se, por exemplo, te tivesse dito 'bebe com moderação'? Para quê? Seria a mesma coisa, não achas? Que ideia cómica!

RIC

[Ainda esta semana, a 2.ª parte.]

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Dia Mundial da Paz / Peace World Day


After what has happened only two days ago, it is quite hard for me to think about peace today.
Peacefully.
A monstrous dictator was stupidly turned into a martyr.
Not according to the Muslim concept as it stands in the Koran, but to our own so-called western civilized conceptions – a human being was repulsively hanged.
As if we all were somehow mentally retarded and were waiting for "Dubious" to tell us what to think about another shameful murder.
I don't need – and I surely don't want – him to "explain" to me why he committed another murder.
That monster in the W. H. deserves exactly the same dreadful fate the Iraqi monster had.
The single difference between them is obvious to me: one still holds the power; the other was long ago defeated.
Both are bandits.
May peace be with you all, if you can.
May you all have a great 2007!

Por mais que tente não consigo afastar da mente aquelas imagens.
E talvez menos ainda no dia de hoje.
Pensar em Paz é cada vez mais difícil.
Que a Paz seja hoje e sempre vossa companhia, se for possível.
Tenham todos um excelente 2007!

RIC

domingo, 31 de dezembro de 2006

«Rien n'est beau que le vrai»…

… Or in Shakespeare's language, «nothing is as beautiful as the truth».

… Ou na língua de Camões, «só a verdade é bela».


FELIZ ANO NOVO!

HAPPY NEW YEAR!

BONNE NOUVELLE ANNÉE!

GLÜCKLICHES NEUJAHR!

FELICE ANNO NUOVO!

GELUKKIG NIEUWJAAR!

BUENO AÑO NUEVO!

GODT NYT ÅR!

My best wishes to you all! May you all have a marvellous 2007!
Para todos, os meus melhores desejos! Tenham todos um excelente 2007!

RIC

sábado, 30 de dezembro de 2006

II. «La Meglio Gioventù»


A synopsis (English)

Chronological, from 1963 until 2003, moving around in Italy, from Rome to the floods of Florence in 1966, student unrest in Turin, Mafia murders in Palermo, chance in Milan, BR terror, plus two trips to Norway.
Director Marco Tullio Giordana's passionate epic "The Best of Youth" follows two Italian brothers – Matteo (Alessio Boni) and Nicola Carati (Luigi Lo Cascio) – of opposite temperament, who try to free Giorgia (Jasmine Trinca), a teenager, from a mental institution: their failure leads Nicola into psychiatry and Matteo to the police.
In Florence, Nicola meets Giulia (Sonia Bergamasco), a musician and leftist whose Red Brigade ties drive them apart after they have a child, Sara.
In Palermo, Matteo meets Mirella (Maya Sansa), a photographer; they connect again in Rome.
The film explores love, family, friendship, politics, mental illness, tragedy, and opportunities to forgive and to heal: a beautifully portrayed family saga and an insightful look at four decades of troubled Italian History.

Una recensione (Italiano)

Con "La Meglio Gioventù" la cinematografia italiana, finalmente, può annoverare tra le sue opere un film di ampio respiro, capace di leggere la storia senza pregiudizi o isterismi da tifoso, capace di fornire l'affresco di un'epoca storica che abbraccia gli ultimi quarant'anni delle tormentate vicende italiane.

Ma l'opera diretta da Marco Tullio Giordana, magistralmente sceneggiata da Sandro Petraglia e Stefano Rulli, non è una fredda disamina dei fatti che vanno dall'alluvione di Firenze del 1966 fino alle vicende di Tangentopoli.

Il regista milanese, ci racconta della contestazione giovanile del '68, della nascita del terrorismo e del suo svilupparsi come un bubbone maligno, della crisi della Fiat all'inizio degli anni ottanta, di Tangentopoli, della protesta fiscale di un Bossi prima maniera, della strage del giudice Falcone e della sua scorta. E lo fa con la passione e il sentimento dei personaggi che costellano il film, i quali vivono queste vicende ora da protagonisti ora da inerti osservatori, avendo a che fare con i piccoli e grandi problemi quotidiani.

Personaggi che attraversano la storia con il coraggio di chi vuol tentare di cambiare qualcosa, il coraggio di lasciare anche solo un'ombra che possa contribuire a modificare il presente per migliorare il futuro, o vi rimangono ai margini perché troppo impegnati a trovare in sé stessi un senso alla vita che stanno vivendo.

Tutto ciò è reso meravigliosamente ne "La Meglio Gioventù". Perché questo è un film meraviglioso. Meraviglioso e commovente grazie ad una fotografia calda e palpitante che partecipa delle emozioni dei personaggi; coinvolgente grazie a dei dialoghi che colpiscono per l'originalità e la profondità, sempre appropriati alle vicende che si raccontano, mai sopra le righe, appassionanti e significativi nei frequenti duetti tra i bravissimi attori, amari e disincantati quando il copione si concede momenti didascalici dedicati alla futura memoria dello spettatore; trascinante per merito degli attori che a poco a poco che il film incede, raggiungono ottimi livelli nell'arte della recitazione.

Interpreti tutti bravissimi: dai collaudati Luigi Lo Cascio, Andrea Tidona e Fabrizio Gifuni, ai quasi esordienti Alessio Boni (una maschera che non dimenticheremo), Sonia Bergamasco, Maya Sansa, Claudio Gioè, Jasmine Trinca (una conferma dopo la prova ne "La Stanza del Figlio"). Sul cast mi permetto di soffermarmi ulteriormente, perché raramente in una produzione italiana si riesce a riunire tanti bravi attori.

La felice scelta della produzione, oltre ad essere ricaduta sui nomi già citati, ha colpito in pieno nel segno scegliendo Adriana Asti nel ruolo della madre, così italiana ma anche così moderna, un personaggio che l'attrice milanese disegna sublimemente e che a buon ragione può incastonare come magnifico suggello di una carriera già nobile ed illustre.

"La Meglio Gioventù" è anche un film colto e consapevole. Meritevole di affrontare tematiche che hanno attraversato e modificato, anche con brucianti lacerazioni, il costume italiano – questioni come l'apertura dei manicomi (Nicola è un discepolo di Franco Basaglia) o la piaga dell'inquinamento industriale o l'accettazione dell'omosessualità come diversità e non come malattia.

Il film è anche un omaggio a maestri italiani del cinema, spesso citati più o meno direttamente: il Pasolini poeta ("La Meglio Gioventù" è il titolo di una raccolta di liriche del poeta friulano) ma anche il Pasolini cineasta, Rossellini, Scola e soprattutto Visconti a cui il film sembra quasi ispirarsi. Il Visconti di "Rocco e i suoi Fratelli" ma soprattutto il Visconti de "Il Gattopardo". Il metodo di analisi è lo stesso, ed eguali sono le conclusioni alle quali sembra giungere. Sono quelle enunciate da uno dei primi inquisiti per le tangenti milanesi, il quale, durante lo svolgimento di una perizia psichiatrica, sembra parafrasare Tommasi da Lampedusa affermando che niente è cambiato e che, chi fino ad allora ha prosperato, brigando ed imbrogliando, continuerà, tranquillamente, a prosperare.

Insomma, "La Meglio Gioventù", vincitore a Cannes 2003 nella prestigiosa sezione "Un certain regard", è un grande film, frutto della felice collaborazione tra pubblico e privato, prodotto da Rai Fiction con la collaborazione di Angelo Barbagallo. (Daniele Sesti)

Uma conclusão (Português)

Uma inegável prova de que o excelente cinema italiano "está vivo e recomenda‑se"… De uma rara profundidade emocional, "A Melhor Juventude" é um fresco de belíssimas cores de uma sociedade que nem sempre foi – e ainda nem sempre é – bem entendida para lá das fronteiras da nação transalpina. Sem receio de exagerar, diria que é uma obra‑prima.

RIC

I. Das histórias em formato t-zero…

O prometido é devido. Ou promessa é dívida.
Assim, aqui fica a incondicional divulgação da iniciativa meritória do Nature Boy que – espero e desejo eu – encontre a devida adesão e entusiasmo por parte de todos os amigos bloguistas e demais leitores. E olhem que o tema!…


Regulamento do concurso de histórias em formato t-zero

{um}
O primeiro concurso de histórias em formato t-zero decorrerá entre 2 e 31 de Janeiro de 2’007, e o tema são os "blind dates";

{dois}
As histórias a concurso devem se enviadas, dentro do período referido no número anterior, para aminhabeira@gmail.com, indicando o nome ou nickname e o link ou endereço de e-mail com que queiram ser identificados, e serão publicadas no blogue UMA IMENSA MINORIA (http://a-minha-beira.blogspot.com/);

{três}
As histórias podem ser contadas em qualquer formato, desde que sejam editáveis em blogspot.com e sejam fornecidos por e-mail todos os elementos necessários à sua edição;

{quatro}
As histórias contadas em formato de texto não poderão ter mais de 250 palavras;

{cinco}
O vencedor será escolhido em votação que decorrerá no blogue UMA IMENSA MINORIA.

{134 palavras regulamentares}


A ideia é excelente e promete espevitar este nosso cantinho da blogosfera...
Bem hajas, Nature Boy!


RIC

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Eyes of Light...



Blue eyes
Baby's got blue eyes
Like a deep blue sea
On a blue blue day
Blue eyes
Baby's got blue eyes
When the morning comes
I'll be far away
And I say

Blue eyes
Holding back the tears
Holding back the pain
Baby's got blue eyes
And she's alone again

Blue eyes
Baby's got blue eyes
Like a clear blue sky
Watching over me
Blue eyes
I love blue eyes

When I'm by her side
Where I long to be
I will see
Blue eyes laughing in the sun
Laughing in the rain
Baby's got blue eyes
And I am home,
And I am home again.

Elton John & Gary Osborne
(Thank you both so very much!)