quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Samuel Barber

"How awful that the artist has become nothing but the after-dinner mint of society."


Samuel Osborne Barber II was born in March 9th, 1910, and passed away in January 23rd, 1981.

Samuel Barber often confuses critics. He founded no school; he stuck to no one style. As a public figure, he seemed aloof from the various critical fights of American music: tonal vs. atonal, Stravinsky vs. Schoenberg, and old-guard vs. modern.

Barber seemed just to write music, and, in so doing, became controversial, someone to be attacked or defended.

In 2004, Barber's masterpiece «Adagio for Strings» was voted the saddest classical work ever by listeners of the BBC's Today programme, ahead of Dido's Lament from «Dido and Æneas» by Henry Purcell, and the Adagietto from Gustav Mahler's 5th symphony.

It can be heard in films such as Platoon, The Elephant Man, El Norte, Amélie, Lorenzo's Oil and Reconstruction.

Barber was president of the International Music Council of UNESCO, where he did much to bring into focus and ameliorate the conditions of international musical problems.

He was the recipient of numerous awards and prizes including the American Prix de Rome and two Pulitzers.

He was elected to the American Academy of Arts and Letters.

RIC

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

À guisa de mero balanço…

Estes anos da minha ausência da blogosfera tiveram várias/muitas consequências, umas naturalmente mais evidentes que outras.

Retomar este blogue implicava, para mim, percorrer em primeiro lugar o arquivo, pelo menos para recuperar uma ideia do que eu já aqui tratara. E garanto que muito já quase se perdera nos esconsos recantos da memória…
Nos dias de hoje que correm velozes, marcados pela absorvente vertigem dos opressivos ritmos quotidianos, fico atónito e perplexo com questões que, em anos ainda próximos, não se me poriam de todo. Aliás, jamais teria pensado nelas sequer.
A decadência portuguesa parece-me ser uma delas. Talvez a mais grave. Ia acrescentar «generalizada», mas isso mesmo seria em si já uma abusiva e grosseira generalização. O que é certo, a meu ver, é que Portugal é hoje um país decadente a muitos níveis, em muitos sectores e a respeito do muito que teremos todos deixado por fazer: «Falta cumprir-se Portugal», disse um Poeta Maior. Ainda e sempre. E não o esqueçamos.
Nós, portugueses, continuamos mergulhados na centenária miséria mental que o outro Poeta Maior lapidarmente definiu: «O favor com que mais se acende o engenho não o dá a pátria, não, porque está metida no gosto da cobiça e na rudeza de uma austera, apagada e vil tristeza.» Soam como ditas hoje, estas sábias palavras. Duras.
Portugal chorado

Quando se tenta, de moto próprio, como eu, debater em fóruns abertos estas e outras questões similares, «aqui d’el rei que ele quer é exibir-se como intelectual e destruir a genuína cultura popular». Nada a fazer quanto a  isto. Neste momento, querer ser cidadão interveniente é (quase) impossível. Eu já não tenho paciência, confesso, para debater seja o que for nas presentes condições. E, lamentavelmente, são poucos, muito poucos, os que têm uma imagem global fidedigna do que é realmente o nosso povo hoje. Ou então preferem a graçola aparvalhada do «engana-me que eu gosto», por onde voltamos à estaca zero.

As nossas elites - as verdadeiras que deveriam estar activas - teimam em permanecer quedas, imóveis, silentes - e eu acrescentaria - apostadas em manter-se tão afastadas quanto possível de tudo o que as solicite para o bem comum. São egoístas, mesquinhas e olimpicamente desprezam o seu país. Não conheço outro país dito desenvolvido onde tal se verifique. Mas é também muito discutível se acaso Portugal é (ou alguma vez foi) um país desenvolvido.

Eu, pela minha parte, começo a desmobilizar. Vejo que nada ganho, bem pelo contrário, ao querer ajudar seja quem for a tornar-se mais ciente da realidade que o/a rodeia. Tentarei seguir, ainda assim, o meu caminho ou, pelo menos, aquele que continua a parecer-me ser o meu caminho.

Se acaso a blogosfera deixar de ser o lugar ideal para prosseguir, então outros espaços decerto se abrirão para que o silêncio dos desistentes não seja a regra, mas sim e apenas a excepção.

RIC

sábado, 4 de fevereiro de 2012

L'Absinthe et la peinture française

L’Absinthe est une célèbre peinture d'Edgar Degas.
Les personnages représentés sont l'actrice Ellen Andrée et le peintre et graveur Marcellin Desboutin, tous deux également peints par Édouard Manet.

Ce tableau illustre à la fois le développement des cafés parisiens dans la deuxième moitié du XIXe siècle, en l'occurrence le café de la Nouvelle Athènes place Pigalle, alors lieu de réunion des Impressionnistes, mais aussi celui de l'alcoolisme qui ravage les couches populaires.

À l'origine intitulée Dans un café, cette toile fut présentée à la deuxième exposition des impressionnistes en 1876. C'est une peinture à l'huile sur toile de 92 x 68 cm peinte en 1876, conservée au Musée d'Orsay.
Absinthe, Nature morte

Du point de vue de la manière, Degas innove par son traitement atypique du cadrage dont la violente asymétrie souligne l'isolement des personnages Ellen Andrée et Marcellin Desboutin.

Ce type de recherches sur le cadrage furent très probablement influencées par le développement de la photographie à la même époque et se retrouve dans de nombreux tableaux de l'artiste: Le Champ de course (1876), Fin d'arabesque (pastel, 1876), tous deux conservés au Musée d'Orsay.

Degas opère donc une rupture dans le sujet et la manière, initiant une peinture inscrite dans la réalité et faisant fi des conventions artistiques et de la loi des genres (contrairement à Courbet quelques années auparavant).

Degas se rapprochera d'ailleurs du groupe impressionniste et participera à leurs expositions, mais sans jamais adopter leur manière.
Pablo Picasso lui rend hommage en 1901, au début de la période bleue, avec La Buveuse d'absinthe, huile sur toile du Musée de l'Ermitage à Saint-Pétersbourg.

RIC & Wikipedia

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os livros que me têm acompanhado...

Também em termos de visão acabei de recuperar a autonomia…

Ver ao perto tornara-se uma dificuldade até há pouco desconhecida, pelo que me estava vedado um dos meus grandes prazeres mais antigos: ler.

Como me sirvo dos transportes públicos, dificilmente concebo uma deslocação a olhar para o exterior ou para os outros passageiros.

O hábito de ler em viagem vem já dos tempos da Faculdade, quando os autocarros eram bem mais lentos e as viagens bem demoradas. Foram mesmo muitas as leituras que iniciei e concluí no autocarro, eléctrico ou comboio.

Assim, nas viagens que tenho feito recentemente sentia muito a falta daquela companhia tão desejada. Felizmente, foram encontradas soluções, e os problemas foram superados.

Entreguei-me então ao prazer recuperado, e há agora um belo caminho pela frente, atendendo a que, durante um tempo considerável, não tive como pegar num livro…

E recomeço com o número dito sagrado: três livros que me despertaram a curiosidade e que tenho vindo a ler «em simultâneo»:

Teolinda Gersão, «A Cidade de Ulisses» (Grande expectativa!)


Kjell Askildsen, «Um Repentino Pensamento Libertador» (Descoberta da mais recente literatura norueguesa. Expectante também!)



Eduardo Pitta, «Cidade Proibida» (Adiado e agora retomado.)


(Agradeço que opinem, nos comentários, sobre todos e cada um!)

RIC

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Caminho…


De um para o outro extremo,
Existo
E duro.
Vivo sendo até à morte.
Existo durando até estar morto.

Um, o caminho.
O outro, a espera.

Aninho a cabeça entre a plumagem
Do dorso da grande ave cega.
Voará lesta,
Nunca saberei para onde
Por luz, penumbra, negrume
Por carga, energia, plasma, fluido
E pelo mais que é e não é.

Quando.

Tudo são negros sorvedouros:
Transmudam ledas vidas
Em mestas passagens.


RIC

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sintra, Capital do Romantismo...

Graças a um bom amigo da blogosfera e do Facebook, tive o privilégio (porque o é, de facto) de poder ver esta curta-metragem/documentário sobre a belíssima Sintra. Sem mais comentários, que aqui são desnecessários!

Thanks to a dear blogger friend also from Facebook I had the privilege indeed of watching this short film/documentary about beautiful Sintra, in the western outskirts of Lisbon. Without further unnecessary comments!


Muito obrigado, Paulo!

RIC

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Do «locus solitudinis» ao espaço de encontro e convívio

Remar contra a corrente é, muitas vezes, a atitude correcta e o sinal de que quem o faz está no caminho certo, quer o faça consciente e intencionalmente quer de forma intuitiva.

Como fiz, faço e farei sempre parte de minorias (variegadas…), creio saber do que falo.
Circunstâncias da vida levam-nos, por vezes, a trilhar caminhos por onde não se vê vivalma. Apenas a passagem do tempo – esse grande escultor – poderá reconduzir-nos a uma qualquer encruzilhada, onde nos reconciliemos com o género humano e voltemos a caminhar juntos, com gosto e prazer. Mas não é fácil: nem o reencontro nem a reconciliação. Mais uma vez, é necessário deixar actuar o tempo, o que pode, por seu turno, ser também causa de ansiedade, já que não temos todo o tempo do Mundo, bem entendido.
Em casa, está-se bem. Com um mínimo de conforto (que, obviamente, varia de sujeito para sujeito), podemos desfrutar de excelentes momentos e fruir ao máximo o nosso espaço íntimo. E a consecução destes objectivos, para mim, implica algo muito simples: café.
Cedo aprendi a saboreá-lo, passei por fases de grande exagero, a tomar bicas a toda a hora, e hoje quase me entrego a um ritual que pratico diariamente sem apelo nem agravo. Com muito prazer!

Adoro o meu café de casa!...

Mas… Nem só de pão vive o Homem. E o exterior atrai-nos com frequência pelo manancial de experiências e de vivências possíveis que nos reserva.
Aqui, na zona por onde recomecei a mover-me (Belém, Pedrouços, Restelo), fiz a descoberta de dois espaços que, como anunciava um comercial de antanho, «satisfazem o cliente mais exigente». Trata-se então de dois espaços «lounge»: um, café e galeria de exposições de pintura; o outro, café e restaurante, exibindo com regularidade também pintura e fotografia. Ambos têm internet à disposição, o que acaba por influenciar o tipo de convívio que se estabelece. Diria mesmo que o ócio se enriquece…


Casual Lounge Caffé
(Não encerra)
Rua Bartolomeu Dias, 148
Belém


Restaurante Bar 2good
(Encerrado ao domingo)
Rua Duarte Pacheco Pereira, 5
Restelo
Se acaso vierem para estas bandas, por exemplo, ao fim-de-semana, vão visitá-los e avaliem por si o que estes espaços têm de agradável à sua disposição. Sei bem que estou a fazer uma forma de publicidade não retribuída, mas isso não me incomoda de todo. Há mais vida além do vil metal… O importante é que desfrutem de momentos bem agradáveis. Sozinhos ou acompanhados.

"Nunca se recusa uma chávena de café que nos seja oferecida", dizem.
Eu não! Nem pensar! Sou até capaz de pedir uma, sem vergonha nem cerimónias…

RIC

domingo, 15 de janeiro de 2012

Smiling, laughing and happy on a daily basis…

Here is a message I got this morning that I’d like very much to share with you all. Somehow it brought me back on trails again, I guess, as far as my confidence in people is concerned. At least, so I felt it. Perhaps you’ll feel that way too.


«Ric,

I don't know why you apologise for the length of your messages; there is no need to, really. What you write is always interesting.


Hello, it is nice to hear from you again. Occasionally, I have visited your blog over the previous three, or so, years and I have wondered what happened to you. I have alternated from thinking the worst, to think all sorts of lovely out comes. I don't know why but both types of scenarios have often involved push bikes. I guess it is the product of my imagination.
I guess the reality is not quite so interesting. I hope you are feeling better now?


I hope life is progressing okay for you, your message seems to say the opposite, but I hope that is changing to something better for you.


Yes, you should travel, it is a wonderful thing. But, I guess, if you are not able to, we are lucky we have the internet, even if it is a somewhat second rate alternative. There is nothing like seeing places for oneself. I am always told by visitors to Australia that it is the Australian light that is so unique. I guess you don't get to see such detail through a computer screen.


I am well and happy. Well, happy in my personal life, even if I am not so happy in my professional life. I have a lovely new (going on two years) boyfriend who came along when I least expected him to, I guess, as boyfriends often do, who is smart and handsome and clever and funny and just so nice and normal that he has won my heart over completely. He makes me smile and laugh and happy on a daily basis.


I just need to find myself a new job now, which I am so less inclined to want to do.

So, good to hear from you. Here’s to a happy and healthy 2012.»


[A blogger friend in the antipodes]


… This is why mankind is still worth all possible efforts. And this world wakes up to a new day in much brighter colours whenever one is offered such a piece of comforting, reassuring prose. Lovely!

Thank you so very much, dear Friend ever since the very first minute!

RIC

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A CARRIS não divulga supressões?!


Ontem, um problema internacional. Ou melhor, luso-americano…
Hoje, um problema nacional que, é sabido, não afecta apenas Lisboa.

No passado domingo, ao final da tarde, fiquei pespegado na paragem do 723 do início da rua Duarte Pacheco Pereira, a Pedrouços, durante quase UMA HORA.

À medida que o tempo ia passando, iam-me ocorrendo diferentes hipóteses: que o autocarro que já deveria ter passado ter-se-ia avariado… Ou que o horário afixado estaria desactualizado… Até que me dei conta de que, no sentido contrário, nenhum autocarro passara ainda! Percebi então que a carreira só poderia ter sido suprimida! Um residente local acabou por confirmar-me que há já alguns domingos não via o dito autocarro circular por ali…

Afinal, como é que é?!

Há ou não há uma rede urbana de transportes públicos com a qual os utentes possam contar?

Independentemente do título de transporte que cada um exiba, o fundamental – e o mais importante! – é que se saiba que, à hora x, se pode ser transportado e não ficar apeado numa paragem qualquer, sem saber o que fazer em seguida.

Espero e desejo que a CARRIS se mantenha honesta na sua relação com os utentes.

Pois espero, mas tenho cada vez mais dúvidas…

[Este texto já foi publicado no Facebook]

RIC

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

«Would you reveal your intentions?...»


Sometimes I wish I had paranormal powers!

Ever since I returned to the blogosphere last November, something strange has been intriguing me quite a lot.

Every single day – weekends included – someone somewhere in MOUNTAIN VIEW, California, apparently with some kind of relation to Google, has been scrutinizing De Viris Pulchris et Aliis several times per day.

Whether I hold something against it? Well, I really don’t know… A blog is a public place indeed, at least the way I conceive it. But I also consider to be quite odd/weird that someone is constantly going through the blog archives, and each day “selects” different materials. And the purpose is? I couldn’t say…

Is anything going on one should really know about?

Or… Perhaps the problem is just me: I’ve never liked being watched from afar. And I do feel something not quite right about it. All I can do is hope I’m wrong.


Oh yes, how did I get this piece of information? Sitemeter, of course.

RIC

sábado, 31 de dezembro de 2011

Hora do Adeus! | Time to say goodbye!

Não há nada como uma passagem de ano bem regada!

(Se não houver que se sentar ao volante depois da festarola, bem entendido…)
Assim - e atendendo aos tempos de profunda crise e de austeridade ainda mais espartana -, convido-vos a todos para umas taças (ou umas flûtes…) deste que aqui se segue…



… Não haverá nada melhor para nos vermos livres do enguiço que nos caiu em cima este ano. E, à meia-noite, façamos os nossos melhores votos para que 2012 NÃO seja a galeria de horrores que umas quantas almas bem-intencionadas nos têm vindo a anunciar, sem qualquer parcimónia ou decoro.

E já com umas tantas taças escorridas, é tempo de dar vazão às nossas (muitas) capacidades linguísticas e de formular os votos em tantas línguas quanto nos for possível (ou não, tanto faz…). E estaremos, sem dúvida, a ser sinceros, pois… in vino veritas...


FELIZ ANO NOVO!

¡BUENO AÑO NUEVO!

HAPPY NEW YEAR!

BONNE NOUVELLE ANNÉE!

GLÜCKLICHES NEUJAHR!
FELICE ANNO NUOVO!

GELUKKIG NIEUWJAAR!
GODT NYT ÅR!

Para todos, os meus melhores e mais sinceros desejos!
Tenham todos um excelente 2012!

My best wishes to you all!

May you all have a marvelous 2012!

RIC

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Procuro à noite…


Há uma voz de sempre
Que chama por mim
Para que eu lembre
Que a noite tem fim

Ainda procuro
Por quem não esqueci
Em nome de um sonho
Em nome de ti

Procuro à noite
Um sinal de ti
Espero à noite
Por quem não esqueci

Eu peço à noite
Um sinal de ti
Quem eu não esqueci
[Eu nunca esqueci]

Por sinais perdidos
Espero em vão
Por tempos antigos
Por uma canção

Ainda procuro
Por quem não esqueci
Por quem já não volta
Por quem eu perdi


… É este - mais coisa, menos coisa - o estado de espírito do momento. Não há volta a dar-lhe, nem resulta combatê-lo. Nada que seja novidade: chegou com a «quadra», instalou-se, foi-se deixando ficar. Mas há-de partir. Eu sei que sim.

… E a letra da bela canção dos «Sétima Legião» não podia vir mais a propósito. Como se tivesse sido escrita de propósito para revolver os meus sentimentos e as minhas emoções, tal como cantava Roberta Flack em «Killing Me Softly With His Song»…

O vídeo está aqui ao lado, na barra lateral. Recordem-no e/ou apreciem-no!

RIC

domingo, 25 de dezembro de 2011

A Merry Little Christmas...


Celebrar o Natal...
Reunir família e amigos de sempre...
Prolongar a Consoada pela noite dentro, enquanto presentes e lembranças vão passando de mão em mão e os que se julgavam esquecidos ficam surpreendidos com o inesperado...
Encetar conversas, desabafos, confissões, agradecimentos e desculpas há muito pensados, mas apenas possíveis naqueles instantes (quase) mágicos, em que todos parecem partilhar o mesmo estado de espírito e a mesma disponibilidade para uma maior intimidade...
Formular votos e desejos para que as mudanças que sempre nos afectam nos tragam dias mais luminosos e noites mais aconchegantes...
Enfim, sermos de novo mais humanos...

Para todos vós, um muito feliz Natal!

Have yourselves a merry little Christmas now!
Make the Yule-tide gay...

RIC

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sátira de costumes... Que falta faz!...



Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé no chão, a mãe ordena
Que o furtado colchão fofo e de pena,
A filha o ponha ali, ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz co'a doce voz que o ar serena:
"Sumiu-se-lhe um colchão?! É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada.

"Tu respondes-me assim? Tu zombas disto?
Já cuidas que por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?" E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado;
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.
Nicolau Tolentino de Almeida

Eis como a segunda metade do nosso século XVIII foi fértil em atenções, carinhos, ternuras e outras delícias que fizeram os encantos dos coevos... Nem as modas importadas de Paris passavam no crivo dos poetas satíricos que esquadrinhavam o quotidiano em busca de alvos a jeito... E, pelos vistos, não tinham grandes dificuldades em fazê-lo...

Quanto a nós, hoje - salvo, desde já, honrosas e pontuais excepções! - estamos longe dessa voragem que tudo varria e nada (ou quase...) poupava... Os actuais «engraçados» têm-se porventura na conta de serem «espectaculares»... Só que... A maioria tem muito pouca graça ou mesmo nenhuma. Mas os «marketings» lá vão dando uma mãozinha e... em terra de cegos, quem tem olho é rei. Por exemplo, os anúncios do «MEO» deixam-me varado de estupor: onde é que estará a graça?!

A todos, um bom resto de fim-de-semana e uma excelente semana!

RIC

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dia Internacional contra a Corrupção


International Anti-Corruption Day is a time for political leaders, governments, legal bodies and lobby groups to work together against corruption work by promoting the day and the issues that surround this event.

On this day anti-corruption advocates organize events to engage the general public to effectively fight against corruption and fraud in communities. Other activities that promote the day include:

Musicals and plays to publicize the message of fighting against corruption.

Keynote speeches by those who were victims of corruption or fought against it.

Essay competitions on issues surrounding the topic of corruption.

The dissemination of posters, flyers and other material to increase awareness levels on corruption.

Some organizations hold special recognition ceremonies to pay tribute to people and projects that provide assistance to nations and communities in the battle against corruption.

Corruption comes in various forms such as bribery, law-breaking without dealing with the consequences in a fair manner, unfairly amending election processes and results, and covering mistakes or silencing whistleblowers (those who expose corruption in hope that justice would be served).

By resolution 58/4 of October 31, 2003, the UN General Assembly designated December 9 as International Anti-Corruption Day. This decision aimed to raise people’s awareness of corruption and of the role of the United Nations Convention against Corruption in combating and preventing it.

The assembly urged all states and competent regional economic integration organizations to sign and ratify the United Nations Convention against Corruption (UNCAC) to ensure its rapid entry into force.


... Pois é, não há volta a dar-lhe: ou lhes chegamos forte e feio ou, qualquer dia, vamos a «eleições» para escolher o melhor banco que nos há-de governar… E assim, governar-se…


Mas como não são só os bancos as grandes vedetas do espectáculo, temos de nos manter atentos às corjas que estão apostadas em nos deixar depenados, lisos, limpos, exangues…
RIC

domingo, 6 de novembro de 2011

De volta ao Mundo! | Back in the world!


Phoenix reborn

A todos vós, as minhas mais cordiais saudações!

Qual pássaro renascido das próprias cinzas, eis-me de volta à blogosfera e ao nosso Universo. Finalmente! E com muita alegria!

Muitas e copiosas águas fluíram sob todas as pontes do mundo.

A Terra, no seu sempiterno rodopio, girou mais quatro (!) vezes em torno do seu bem-amado Sol, e eu com ela, entretanto, mergulhei de cabeça em mais uma dolorosa catábase que quase fazia de mim refém do Hades. Não sou Orpheu, não pretendia resgatar nenhuma Eurídice, mas atravessei anos de chumbo. E - admito-o hoje - bem poderia não ter regressado...

Uma crise aguda de psoríase é em si já um suplício que baste. Não poder usar as mãos nem assentar os pés é já tortura diária bastante para quem se vê aprisionado numa armadura de pele que teima em se renovar a uma velocidade desvairada. Mas o tormento é elevado à máxima potência quando há que sair do casulo doméstico para as consultas médicas e os tratamentos: ao virar a primeira esquina, alguém se cruza connosco, faz um esgar de repulsa e lança-nos um olhar de desprezo, como se estivesse a ser obrigado a partilhar o passeio público com um leproso... Tomar um transporte público é ideia ingénua, mas logo abandonada... Não fosse alguém lembrar-se de exigir a evicção... Um táxi terá de ser a solução, mais cara, é certo, mas bem menos deprimente. Entrar num café para uma bica e uma água (ao balcão!) vem-nos à mente já como uma vaga possibilidade ou um delírio inconsequente... E, pouco a pouco, sorrateiramente, a depressão vai-se assenhoreando de nós. Como resistir-lhe? Dificilmente. Tudo (ou quase) concorre contra nós. Sair de casa torna-se, pois, o desafio supremo que não queremos de todo enfrentar.

Apesar de todos os programas de televisão, de todas as reportagens, de todos os artigos de imprensa, de todos os dias mundiais da psoríase, de toda a divulgação médica, em regra os portugueses continuam iguais a si próprios: olimpicamente ignorantes e ferozmente discriminatórios. «Ah isso diz você, que não se pega. Sei lá eu?!» Eis a douta resposta que qualquer concidadão é capaz de formular. Cada vez é mais triste ser português...

E a depressão aprofunda-se. E leva-nos ao limiar da existência. E a nossa casa transforma-se na nossa leprosaria particular. E ninguém (ou quase...) quer saber o que lá se passa. E assim bem podem transcorrer meses, que depressa se acumulam em anos...

A salvação vem quando menos se espera. E de quem não se imaginaria. A surpresa boa tem o incrível efeito de contribuir de imediato para as melhoras gerais. E aos poucos vamos recuperando a nossa dignidade.


Just like a phoenix reborn, here I am back again. Finally! I never suspected it would take me such a long time to get better.

First of all – and before it slips my mind – I want to thank from the heart to all of you who were worried about me and left all those attentive commentaries. Thank you so very much!

I’m not yet sure whether I’ll be able to blog again as often as I used to, at least in the near future. I still have to undergo a series of time spending treatments. But I’ll do my very best. That’s for sure!

I hope you are all quite well and wish you all the best.

Best regards!

RIC

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Divirtam-se! | Have fun!

Fiquem todos bem, minhas caras e meus caros!
Até breve! – C'est la vie
Prometo!


I wish you all, dear blogger friends, the very best!
I'll be away for a while; I'll be back as soon as possible.
Promise!

RIC

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

«Unforgettable»...


Unforgettable
That's what you are
Unforgettable
Though near or far

Like a song of love that clings to me
How the thought of you does things to me
Never before has someone been more

Unforgettable
In every way
And forever more
That's how you'll stay

That's why, darling, it's incredible
That someone so unforgettable
Thinks that I am unforgettable too

Irving Gordon

• Nat King Cole (1951-52)
• Dick Hyman Trio (1954)
• Dinah Washington (1959)
• Nat King Cole & Natalie Cole (1991)

RIC

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O princípio de mais um fim

«De início, quase tudo parecia idílico. Não estou a tentar pintar por cima de tons mais ou menos sombrios com límpidas cores luminosas e enganadoras. Aliás, também não o fiz então. Não foi a manifestação rápida de diferenças essenciais que começou a ensombrar aquele primeiro Verão. Elas não separam necessariamente e, em alguns aspectos, são até bem-vindas. Mas para quem se revelara tão intensamente carnal, tão visceralmente sensual, o fogo da paixão esmoreceu depressa, e foi essa mudança que me perturbou e confundiu.

Nunca fui propenso a constantes e desvairadas exteriorizações afectivas, nem pródigo em repartir ternuras e meiguices, beijos e carinhos. Mas sei também que não sou excessivamente regrado nem abstrusamente puritano. Percorremos juntos caminhos inexplorados, abrimo-nos ao erotismo, descobrimos o que de bom e mau a Rede Mundial oferece, embarcámos juntos em aventuras inconsequentes de telessexo que, como dizias, acumula as vantagens do sexo comum com a impossibilidade de ocorrerem situações incómodas, inibidoras ou automatizadas, enfim, puro sexo mental pelo simples prazer da novidade e da diferença. Se o prazer é por definição solitário, então que resulte pleno da junção premeditada de solidões…

O sexo foi-se tornando uma actividade desbravada. E desbragada. O conhecimento mútuo dos corpos, dos desejos secretos que calavam e dos caprichos intempestivos que se levantavam como vigorosos vendavais e só se aquietavam no instante do supremo gozo, foi-se apurando como se de uma iguaria cozinhada em lume brando se tratasse. Sem que alguma vez o tivesses notado ou sequer pressentido ou suspeitado, um estranho sentimento de irremediável perda foi-se insinuando em mim de uma forma cada vez menos suportável, como se a cada ejaculação ficasse mais perto da morte. Uma estranha bizarria no meu horizonte, consequência provável de uma idade que exige mais do que apenas a satisfação do desejo. No meu espírito foi-se instalando com firmeza a incómoda e absurda sensação de sémen desperdiçado, malbaratado, da inutilidade daquela actividade fora do contexto – inconfessável e impossível – de querer trazer ao mundo um novo ser, de garantir descendência, de procriar. Evitei e impedi como pude a proliferação destes pensamentos, frutos serôdios de um campo da vida há muito já em pousio.


Pode-se afinal muito pouco contra a força avassaladora da Natureza que, tarde ou cedo, se nos impõe como desígnio supremo da existência. Todo o racionalismo é pouco, débil e recente, ante a ancestralidade inconsciente da função vital. E combati como pude a crise, a meu ver, de meia-idade, aventurando-me lautamente por uma geografia da qual, até então, só conhecia as coordenadas básicas.

De início, havia todas as cores de todos os afectos e de todas as emoções a devolverem-me sentimentos de plenitude que pareciam há muito esgotados, sentia uma indómita vontade de te agradar e de secretamente realizar desejos teus apenas adivinhados. Palavras e actos concordavam e coincidiam. Mas, à medida que o esplendor estival se foi perdendo, a atmosfera idílica começou a adensar-se e as cores límpidas e transparentes ganharam matizes obscuros. Chegado o Outono, pouco faltou para que estabelecesses um calendário e um horário rígido, e qualquer iniciativa que quebrasse aquela rotina sub-reptícia, férrea e nunca negociada, era por ti mal recebida e tornava-se alvo de objecções inconsistentes, para mim, incompreensíveis. Ainda assim, o primeiro ano ainda manteve algum do esplendor daquele Verão e em nada se pode comparar ao que veio depois.

Havia paixão intensa, e creio hoje que um amor equilibrado poderia ter-lhe sucedido. O convívio contínuo não pode satisfazer-se apenas com insistentes trocas de carinhos e meiguices. Isso não passa de proximidade física. Os seres, mesmo os amantes, conversam, comunicam e comunicam-se nos interesses que perseguem e nos assuntos de que falam, tanto os triviais como os que os empolgam. As nossas conversas foram emudecendo e os nossos interesses foram-se revelando cada vez mais divergentes, opostos e incomunicáveis. Cada frase que proferia fazia-a preceder de um «olha», ainda que os nossos olhares não se desprendessem um só instante. Achava que um só «ouve» que eu dissesse poderia ter o indesejável efeito de tornar a conversa muito mais séria, muito mais grave. Quanto mais desentendido me fizesse, menores seriam as possíveis consequências nefastas da conversa. Ou da desconversa. Não se pode falar, a toda a hora e a todo o instante, do tempo que faz lá fora, do carro novo que um vizinho exibiu ou das compras de supermercado que há que fazer. E todas as conversas que tentavam ultrapassar o limiar da mera banalidade, da trivialidade comezinha e poderiam ir construindo outro tipo de proximidade, uma verdadeira intimidade, foram sendo adiadas sempre para mais tarde, sempre para depois. Para nunca. Quando havia que falar de nós, só mil cuidados impediam que o caminho seguido fosse invariavelmente o mesmo. E o silêncio foi ganhando terreno.»

RIC

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Climate change & biodiversity…


United Nations Environment Programme
Key Polar Centre

«Climate change is impacting biodiversity at a global and unprecedented scale.
The Arctic region is hit particularly hard. It is already warming 2 to 2.5 times faster than the global average, due to a thinner atmosphere and several positive feedback responses.
Changes in the Arctic will have major repercussions for all other global regions through changes in the hydrological cycle, the weather cycle, the carbon cycle or atmospheric changes, but also by impacting its unique biodiversity.
Many Arctic species are migratory, connecting the entire globe by their annual migration routes of billions of migratory birds, marine mammals and fish.
The changes in the Arctic region will determine the future of its major wealth in ecosystem goods and services, mostly its natural resources, marine and freshwater fish and terrestrial reindeer. They all provide vital income for the peoples of the North and to a large extent to the global community as a whole.
Its unique location in still largely pristine wilderness and little direct human impacts allow the Arctic region for monitoring the impact of climate change and industrial development on biodiversity in a less complex ecosystem, providing us with an early warning system of what is likely to happen to our near future.
Arctic biodiversity and ecosystems are an ideal test case for measuring progress towards the Convention on Biological Diversity's 2010 target to significantly reduce the rate of biodiversity loss by 2010, a barometer for the state of biodiversity.
The Circumpolar Biodiversity Monitoring Program is part of the International Polar Year initiative, which creates a huge scientific focus on the Polar regions, generating the attention to the vulnerable status of both poles. More than 100 projects focus on the Arctic region.


Arctic biodiversity is more than just the Polar Bear. This charismatic Arctic predator has been the focus of the media, rightly reporting on the sombre destiny of the largest predator on Earth. It will suffer severely if the sea ice continues to disappear in many areas of the Arctic. But little has been mentioned on the fate of other Arctic species, namely the following four.

● The charismatic, solely Arctic Ivory Gull pagophila eburnea is living entirely in High Arctic marine seas, closely associated with the Polar Bear, which it follows, scavenging on leftovers on the ice edge. Its entire life cycle is intimately linked with sea ice and the rare gull is potentially severely threatened by the disappearance of the sea ice.

● The Reindeer and Caribou rangifer tarandus are the most dominant large mammal species in the Arctic, living in every Arctic country, mostly in the tundra. They provide the major source of income for many local people in the Arctic, depending highly on the thriving of their huge populations. Climate change may have severe impacts on the future of this valuable element of Arctic ecosystems.

● Polar regions are home to 70% of all global freshwater, most of it stored in the ice sheets of Antarctica and Greenland, but the Arctic region contains the largest amount of freshwater available for biodiversity. Huge peatlands and tundra wetlands lie in the Arctic region, and Arctic rivers altogether discharge more than 4,600 km3 into the Arctic Ocean every year. Many of them belong to the largest ten rivers on Earth, hardly impacted by dams or any other human impacts, allowing a huge diversity of freshwater fish to thrive in their streams. The Arctic Char salvelinus alpinus is the most northerly distributed freshwater fish and a characteristic representative for this unique biome.

● The large majority of all Arctic vertebrates are migratory. Arctic breeding birds are connected with virtually every corner of the globe – apart from the Antarctic ice sheet – through the annual migration of birds, whales, fish and even reindeer and caribou. The Red Knot calidris canutus is one of the most fascinating globetrotters. In winter the High Arctic breeder can be found in South and West Africa, South America, India, Australia and New Zealand. However, four out of six populations are presently in decline, some sharply, and for two the trend is unknown.


These, like many other population trends from the Arctic regions, are alarming signals of changes in the Arctic ecosystems, which should alert us all. We still do not know the trend for many populations of Arctic biodiversity and we still know far too little as well to fully understand the root causes of these trends.»

Do you still believe never-ending economical growth rates are more important?
I don't! Not anymore!

RIC