sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Contra os novos Cabrais…

«Em 1842 é instaurado um regime político, por muitos considerado despótico, liderado por António Bernardo da Costa Cabral, um dos chefes do movimento constitucionalista, e apoiado, entre outros, pelo seu irmão José Bernardo da Silva Cabral, 1.º conde de Cabral (daí a alcunha popular de governo dos Cabrais ou cabralismo).

A revolta inicia-se na zona de Póvoa do Lanhoso, no Minho, com uma sublevação popular que se foi estendendo progressivamente a todo o Norte. A instigadora dos motins terá sido uma mulher do povo chamada Maria, natural da freguesia de Fonte Arcada, que por isso ficaria conhecida pela alcunha de Maria da Fonte.



Maria da Fonte, Lisboa

Nessa época, o maestro Angelo Frondoni compõe um hino popular que fica conhecido pelo nome de «Hino da Maria da Fonte» – ou «Hino do Minho» –, obra patriótica que respira entusiasmo aguerrido, tem larga divulgação, será por muito tempo (segunda metade do século XIX) o canto de guerra do Partido Progressista e quase chega a ser aceite, pela generalidade da população, nos últimos tempos da monarquia, como hino nacional.»

Viva a Maria da Fonte
Com as pistolas na mão
Para matar os Cabrais
Que são falsos à nação.

Eia avante! Portugueses!
Eia avante! Não temer!
Pela santa Liberdade,
Triunfar ou perecer!

Viva a Maria da Fonte
A cavalo e sem cair
Com as pistolas à cinta
A tocar a reunir.

Lá raiou a liberdade
Que a nação há-de aditar
Glória ao Minho que primeiro
O seu grito fez soar.

Em exortação às mentes progressistas inconformadas!

RIC

10 comentários:

Papoila disse...

Onde está uma nova Maria da Fonte?!
Agora não são os Cabrais ....são outros que tais!

Boa recordação nesta musica.

JInhos
BF

RIC disse...

Olá Papoila!
Bem-vinda!
Não perguntes onde ela está; sê-a!
Obrigado pela visita!
Bom fim-de-semana para ti também!
Beijinhos! :-)

GMaciel disse...

Oportuna e excelente lembrança e melhor conselho: sermos as novas Marias da Fonte. Haja ganas que razões não faltam.
:)

RIC disse...

Olá querida Graça!
Pois é, é capaz de ser um «conselho» muito colado ao do John Kennedy, mas foi o que me ocorreu. Já chega de andarmos à procura do paizinho! Assumamos a nossa maioridade e façamos o que temos a fazer! Como muito bem dizes, razões não nos faltam! Não poderei ser mais uma Maria da Fonte (nem quereria), mas posso perfeitamente ser mais um Zé do Telhado! Há bandidos e bandidos! Hoje em dia, parece que estão todos onde não deviam estar... Mas isso é outra história...
Beijinhos! :-)

Leo Carioca disse...

Oi, Ric.
Eu não conhecia essa personagem histórica! Muito interessante!

RIC disse...

Olá Leo!
É sem dúvida muito curiosa a figura de Maria da Fonte e a aura mítica que a envolve. Aconselho-te a leitura do texto português - muito completo! - da Wikipédia. Vale bem a pena!
Bom domingo!
Um abraço! :-)

Special K disse...

Bem que ela fazia falta com as pistolas para matar os Cabrais do nosso tempo que são falsos à nação.
Um abraço

RIC disse...

Olá caro Paulo!
Pois é... Parece que o que há mais por aí hoje em dia são «Cabrais nacionões»... Lá me enganei eu outra vez nos plurais... O Português é uma língua difícil à brava! Rsrsrs!
Abraço! :-)

M disse...

very interesting statue

RIC disse...

Hello dear M.!
Are you feeling better now?
I do hope so!
Yes, that's a very powerful statue indeed, representing a revolutionary woman who lived in the 19th century.
I'm glad you liked it!
Ciao! :-)