terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Café / Coffee…

A "História do Café" começa no século IX. Originário das terras altas da Etiópia, espalhou‑se pelo mundo através do Egipto e da Europa. Crê‑se que o seu nome derive de Kaffa, uma região do planalto etíope.
Conta a lenda que um pastor chamado Kaldi notou que as suas cabras ficavam mais activas ao comer as folhas e os frutos do cafezeiro; experimentou os frutos e sentiu uma maior vivacidade. Um monge da região, informado do facto, começou a utilizar uma infusão dos frutos para resistir ao sono enquanto orava.
O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se, e no século XVI o café era já utilizado no Oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia.
Na Arábia, a infusão recebeu o nome de "qah'wa" – قهوة –, enquanto em Turco era conhecida como "kahve", palavra cujo significado original era "vinho".
No entanto, o café teve inimigos mesmo entre os muçulmanos, que consideravam as suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé, mas acabou por vencer as resistências. E até os médicos muçulmanos aderiram à bebida por "favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono".
Em 1475 surge em Istambul a primeira loja de café. Por volta de 1570, o café foi introduzido em Veneza, mas por ser considerado muçulmano estava interdito aos cristãos, e só foi permitido após o papa Clemente VIII o ter provado.
É em Inglaterra, em 1652, que abre a primeira casa de café da Europa, seguindo-se a Itália dois anos depois. Em 1672 cabe a Paris inaugurar a sua primeira casa de café. É precisamente em França que, pela primeira vez, se adiciona açúcar ao café, o que acontece durante o reinado de Luís XIV, a quem haviam oferecido um cafezeiro em 1713.
Ingleses e portugueses tentaram a sua sorte nas zonas tropicais da Ásia e da África. As primeiras plantações portuguesas no Brasil foram feitas no norte, em 1727, mas as condições climáticas não eram as melhores e, entre 1800 e 1850, as regiões escolhidas foram o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, onde o sucesso foi total. O negócio do café começou, assim, a desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de receitas do Brasil.
Os estabelecimentos comerciais na Europa consolidaram o uso do café, e diversas casas de café ficaram mundialmente conhecidas, como a Virginia Coffea House, em Londres, ou o Café de La Régence, em Paris, onde se reuniam nomes famosos como Rousseau, Voltaire, Richelieu e Diderot.
Em Portugal, é nos séculos XVIII e XIX que se assiste ao florescimento do hábito urbano de "tomar café", com a abertura de inúmeras casas nas principais cidades, algumas das quais alcançando fama mítica.
O café é, actualmente, a bebida mais consumida no mundo, sendo servidas cerca de 400 biliões de chávenas por ano…
The "History of Coffee" can be traced at least as early as the 9.th century, in the highlands of Ethiopia. From there it spread to Egypt and Yemen, and by the 15.th century had reached Persia, Egypt, Turkey, and northern Africa.
The word "coffee" is believed to be derived from the name of the place from which coffee originated, Kaffa, Ethiopia. Coffee's Arabic name – قهوة – "qah'wa" was borrowed by Turkish as "kahve", which in turn was borrowed by other European languages.
Coffee was at first not well received. In 1511, it was forbidden for its stimulating effect by conservative, orthodox imams at a theological court in Mecca. However, the popularity of the drink among the Greek population and intellectuals in Constantinople, led these bans to be overturned in 1524 by an order of the Ottoman Turkish Sultan Selim I. In Cairo, Egypt, a similar ban was instituted in 1532, and the coffeehouses and warehouses containing coffee beans were sacked.
From the Muslim world, coffee spread to Europe, where it became popular during the 17.th century. The Dutch were the first to start the large scale importation of coffee into Europe.
When coffee reached the American colonies, it was initially not as successful as it had been in Europe, as colonists found it a poor substitute for alcohol. However, during the Revolutionary War, the demand for coffee increased to such an extent that dealers had to hoard their scarce supplies of it and raise prices dramatically.
Americans' taste for coffee grew during the early 19.th century, following the War of 1812, which had temporarily cut off access to tea imports, and high demand during the American Civil War as well as many advancements in brewing technology cemented the position of coffee as an everyday commodity in America.
Coffee is one of the most widely consumed beverages in the world. Along with tea and water, it is one of the most frequently-drunk beverages, its volume amounting to about a third that of tap water in North America and Europe…

… And may I now have my cup of coffee in absolute tranquillity, please?
Help yourself, if you feel like having some as well! Be my guest!

"Nunca se recusa uma chávena de café que nos seja oferecida", dizem.
Eu não, nem pensar! Sou até capaz de pedir uma, sem vergonha nem cerimónias…

RIC

(Wikipedia: abridged and adapted)

16 comentários:

Joel disse...

I'll have one. Make mine a mug!?

I drink mugs of coffee, not cups.

I can drink about 6 to 8 mugs a day.

And still fall asleep.

Thanks for the History lesson!?

RIC disse...

Hello Joel! Please, help yourself! Wherever I am there's always coffee. My coffee cup is as big as a mug, and I also like to drink coffee several times a day. I can have the last one of the day before going to bed and... five minutes later I'm asleep...
Another aspect in common...
You're welcome, for the lesson and for the coffee! :-)

Shadow disse...

Boa noite, Ric.

Espero que tenhas passado um santo e feliz Natal.
Estive a ler os teus éditos de 24/12 e 25/12 e devo-te de dizer que um deles quase não conseguia terminá-lo...
Entramos em época de balanço.Como quase todos, também irei fazer o meu.Este ano, vou incluir os blogues na minha lista de acontecimentos. Já fazem partem dos meus dias. O teu será um deles. Ter conhecido o teu blogue foi um acontecimento feliz de 2006.
Grata por todos estes momentos. Grata pela partilha.

Quanto ao café, já conhecia um pouco da história. Adoro café. Curto e sem açúcar. Hum...Divinal!

Agradeço a tua chamada de atenção em relação a indicação deixada pelo «Pinguim». Ainda não tinha reparado. Passarei por lá muito em breve.

(Apre! Hoje não me calo!)

Boa semana. Beijinhos :-)

(Já reparaste que ando a «baldar-me» às vírgulas?)

dondon009 disse...

Absolute tranquility is the key to truly enjoying that first cup of coffee.... time to savor the aroma and enjoy the taste.

I'm honored that you've stopped by my site.... and with great pleasure, I knew immediately that this was the "now familiar" RIC, whose comments I read frequently when visiting our mutual friend QEK.

Your Christmas posts are heartwarming and beautifully written.

My best to you during this holiday season and throughout the New Year!

DON~

Bruce disse...

Ric,
Having lived in Vienna for more than two decades, I picked up a good deal of coffee, and coffee house, folk history, since, according to the Viennese, Vienna was the city through which coffee entered Europe. The legend goes that when the Turks withdrew from the siege of Vienna in 1683, the Viennese found sacks of coffee in the abandoned Turkish camp. With the coffee brewed from those sacks, the Viennese opened the first Viennese coffee house and generally became addicted to coffee drinking.

The history of coffee in Portugal--- about which I know very little--- must, in fact, be very interesting. Historically, it would seem logical for Portugal to be a tea drinking country because of Portuguese trade and colonial relations with India and China. (Coffee became important in brazil only AFTER it ceased to be a Portuguese colony.) Why, then, are the Portuguese so addicted to coffee? The other European colonial power with ties to India and China, England, is still a tea drinking country.

I, too, can drink a cup of strong Italian espresso and fall asleep immediately afterwards.

pinguim disse...

Desconhecia muito do que aqui li, principalmente no que respeita às origens do café; mais uma vez, obrigado.
By the way, porque não qualquer dia, não irmos tomar um café?

RIC disse...

Olá Carla! É muito bom reler-te após esta pausa das Festas. Que também as tuas tenham sido do teu agrado.
As minhas desculpas por certos efeitos causados! Tento manter uma certa «distância» e «objectividade», mas por vezes a subjectividade irrompe e... pronto! Muito obrigado pela eleição! Fico naturalmente muito honrado e estimalado a fazer sempre melhor.
Já que és tu a referir as vírgulas, devo dizer-te que na minha opinião a tua escrita está impecácel. Bem me parecia que era coisa fácil de remediar. Continua a bardar-te, porque é sem dúvida boa ideia!
Ainda bem que viste a referência ao «whynotnow»! Fico contente!
Uma boa semana para ti também!
Beijinhos! :-)

RIC disse...

Hello Don! Thank you so very much for your very kind words! It's me who am honoured by your visit indeed!
After reading some of your comments on QEK, I got really curious, which in me works as a motor. I went over to your blog and did like it very much!
Er, Christmas time isn't an easy period...
Best wishes, dear Don! You've got another reader. :-)

RIC disse...

Hello Bruce! The place and the role of Vienna in the History of coffee is most important indeed. I believe certain Wikipedia entries do need to be enhanced yet...
As to Portugal, the importance of coffee goes back to the 18.th century, mainly due to the rather strong French influence over many aspects of Portuguese daily life. On the other hand, coffee was also planted in Portuguese African colonies, so it was not so difficult to have it in the mainland.
Catharine, Charle's II wife, introduced tea drinking habits in England, but less than a century later, coffee had become the main beverage in Portugal. And still is these days, no doubt. I like to drink tea myself, but... coffee is coffee.
It's always a pleasure having you around, Bruce! Thank you very much!

RIC disse...

Olá João! Parece-me que a «provocação» está a surtir alguns efeitos... A pretexto do história do café, pensa-se em tomar café e, naturalmente, em fazê-lo acompanhado... Por mim, acho uma óptima ideia!
A net é de facto espantosa. Nem a cozinha escapa: quando olhei para a máquina de café, vi o que tinha a fazer hoje. Se quando era estudante houvesse já este instrumento, acho que teria feito vários doutoramentos...
Pensa num café, meu caro João, com uma chaveninha (ou chavenona) ao lado... :-)

Gray disse...

Ah, my dear Colonial American ancestors! Their penchant for alcohol is still shared by their modern countrymen (myself included)!

However, dear Ric, I must agree that coffee is one of God's unique stimuli. It's aroma can lure me from the sidewalk and into a cafe as easily as a handsome man!

Although I must write that, if I were to be honest, sometimes the coffee can be more stimulating! ;)

Thank you for another interesting historical note!

RIC disse...

Oh my dear Gray, I just loved this comment of yours! You can pick a subject and deal with it like only a few can! (This one's from the heart!)
Not only your «modern countrymen» have that penchant, dear Gray... You should see how it is around here... No need to go into details...
And yes, you are so right! Coffee can some times be so much more stimulating than some men we come across and would like them to be as well... But they just aren't; instead most of the time they are as dull as warm beer...
You're most welcome, my friend!

Th.M. disse...

Manter aberta a pupila, ver sempre claramente a pequena história e as largas variações dos meus dias, com o café que bebo, no Café que frequento, pelo café-pretexto de encontro e conversa. O seu aroma é como incenso em liturgia mundana de louvor e petição. Louvo pelo prazer experimentado e pelo gosto sentido. Peço, em estilo de litania diária, várias vezes ao dia, como quem diz «o café nosso de cada dia…». Bem hajas, por esta "História do Café".

RIC disse...

Olá, meu caro Thiago!
Não tens de quê!
Também eu repito, com acentuado fervor e várias vezes ao dia, essa mesma litania do «café nosso de cada dia».
Uma coisa, ao menos, parece-me certa: ainda vai havendo Cafés-lugares de encontro e de partilha.
É uma boa notícia!
Obrigado!

Gumby disse...

Non c'é niente nel mundo come un espresso doppio! Espesialmente in un café italiano!

RIC disse...

Verissimo, caro Gumby! Io stesso ho bevuto un espresso doppio tante e tante volte al giorno quando sono stato in Italia, soltanto per il gran piacere che avevo al pensare che quello café era proprio italiano... Una meraviglia!
Grazie mille, carissimo!