quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Aquilino in the National Pantheon


Aquilino Ribeiro (Sernancelhe, September 13th, 1885 - Lisbon, May 7th, 1963) was a Portuguese writer.

Destined to priesthood, Aquilino Ribeiro soon got involved in republican politics, opposing the Portuguese monarchy, and had to leave the country for exile in Paris, where he studied Philosophy at the Sorbonne. He returned to Portugal in 1914.

He was involved in the opposition to Salazar and the «Estado Novo», whose government tried to censor or ban some of his works.

His name was proposed for the Literature Nobel Prize in 1960 by significant public figures in Portuguese culture such as Francisco Vieira de Almeida, José Cardoso Pires, David Mourão-Ferreira, José Gomes Ferreira, Maria Judite de Carvalho, Urbano Tavares Rodrigues, Vergílio Ferreira, Joel Serrão, Mário Soares, Vitorino Nemésio, Alves Redol and João Abel Manta.

Here are a few of his most famous titles:

Terras do Demo (1919)
O Malhadinhas (1920)
Andam Faunos pelos Bosques (1926)
O Romance da Raposa (1929)
Volfrâmio (1944)
Cinco Réis de Gente (1948)
A Casa Grande de Romarigães (1957)
Quando Os Lobos Uivam (1958)

Considered one of the greatest Portuguese novelists of the 20th century – he wrote more than 70 novels –, Aquilino Ribeiro managed to cross rusticity with erudition, showing in his work a gallery of peculiar, telluric characters that classified him forever as a faithful observer of "grandeur and misery" of humankind.

«Mais não pude» (in the sense of «I wasn't able of any better») is the sentence he would have wanted for his epitaph.

His remains will be transferred today to the National Pantheon, where another great writer is certainly most welcome among all other noble Portuguese.

RIC

16 comentários:

Catatau disse...

Ai o que eu gosto do Malhadinhas!... Pertence às recordação despreocupadas das minhas leituras juvenis. :)

Bernardo Moura disse...

Caro Ric,
aconselho a visita ao blogue de Jofre Alves que tem tudo mas tudo sobre Aquilino, http://couramagazine.blogs.sapo.pt/
Abraço

RIC disse...

Olá João!
Já somos dois, meu caro! E «O Romance da Raposa» é mais ou menos da mesma época também! O meu pai achava que ler Aquilino era «combater o fascismo»... Só mais tarde percebi os enredos políticos, bem como a necessidade de um bom dicionário para conseguir ir entrando naquele mundo beirão. Não creio ter-me servido tanto do dicionário como para ler Aquilino! Um trabalho que já devia estar feito, a meu ver: a publicação de um léxico exaustivo de todos os seus regionalismos! Com estas novas tecnologias de tratamento de texto até me parece que seria coisa rápida (não necessariamente fácil!).
Na minha opinião, seria a verdadeira homenagem ao maior - e mais profícuo! - romancista do século XX!
Abraço, meu caro! :-)

(A capa de «O Malhadinhas» ficará algum tempo como lembrete na barra lateral!)

RIC disse...

Olá Bernardo!
Muito obrigado pelo teu conselho, meu caro! Como creio que calcularás, tenho alguma prática de investigação e não escrevo/edito sobre assuntos relevantes sem investigar primeiro, quer em livros quer na internet. Assim, já conhecia o «Coura Magazine», que tem uma cronologia a ser ainda completada e notas de muito interesse sobre «A Casa Grande de Romarigães».
A internet é neste momento deficitária, e a Wikipédia - que deve internacionalizar o que é nosso - é de uma pobreza lamentável.
Este apontamento aqui no meu blogue destina-se sobretudo a projectar para fora do mundo de língua portuguesa uma notícia. Como professor de Literatura Portuguesa sei bem que não passa disso: um apontamento, uma breve notícia. Mas em Inglês não creio ser possível encontrar nada de mais substancial. Caso encontres, agradeço a dica!
Abraço! :-)

Special K disse...

Finalmente uma justa homenagem a um grande escritor. Se calhar ele ficaria mais contente se a sua obra voltasse a ser editada por cá. Uma recente reportagem na televisão confirmou o que eu já tinha constatado: É quase missão impossível encontrar as suas obras nas nossas livrarias. Eu próprio só conheci o Aquilino através dos livros dos meus pais.
Um abraço.

RIC disse...

Olá Paulo!
Ora aí está! Depois pôem-se com lamúrias da treta e choram lágrimas de crocodilo! Mas fazerem uma edição da obra completa, está quieto!...
Acho muito bem que esteja agora no Panteão Nacional, mas a verdadeira homenagem a um escritor não é a restos mortais ou com declarações empolgadas; é divulgando a sua obra! E o pouco ou nada que encontrei na internet é bem prova do abandono a que continua votado.
E já disse mais do que queria...
Até à edição da Imprensa Nacional o mesmo se passou com Nemésio...
Cada vez me convenço mais que as nossas políticas culturais são meros acidentes de percurso, ao sabor dos caprichos das ondas e da Lua...
Um abraço! :-)

JoeL disse...

Isn't it funny how the greatest, some of the best, were considered "dangerous"?

It's why it's important to keep an open mind.

RIC disse...

Hello dear Joel!
Oh yes, you're so right! Especially if/when that political regime is a ferocious dictatorship! He was arrested several times for no other reason but his own convictions and ideas... If we want to keep our democracies safe and sane, we have to be openminded indeed!
My best wishes to you, dear Joel!
Hugs! :-)

r.porter disse...

A qui lindo!
Presentear o mundo com o melhor que há neste "paraíso" à beira-mar plantado.
Beijinhos
Yo

RIC disse...

Olá querida Yo!
Deuses, isso é que é ironia da melhor estirpe! Rsrsrs!
Agora que a música continua a tocar enquanto os bloguistas comentam, fico meio sem saber se é o édito ou a música que os «move»...
Mas pelo «qui» creio bem que é Elis que fica em destaque. Quanto ao «paraíso», mais uma vez são os teus belos olhos a vê-lo... O original só refere um «jardim», a que eu acrescentaria «muito mal tratadinho»...
Beijinhos muitos! :-)

FOXX disse...

prometo que vou ler tá?

RIC disse...

Olá Foxx!
Estás à vontade, meu caro! Farás o que entenderes.
Abraço! :-)

André Benjamim disse...

Realmente é muito difícil encontrar os livros do Aquilino Ribeiro. Eu descobri alguns (há dois ou três anos) num alfarrobista de Coimbra, mas recusei-me a pagar o que queriam por livros em tão mau estado de conservação (depois de ter sido a obrigado a usar óculos, prometi a mim mesmo que nunca mais lia livros com letra miudinha, ou com páginas escuras)... Queriam 7,5€ por cada um... Assim, até à data só li o Romance da Raposa... Entretanto, há cerca de dois meses descobri, nas arrumações da Associação da minha "santa terrinha" cerca de quarenta dos seus livros (!!! - imagino que nunca tenham sido lidos, de facto alguns têm as folhas por cortar)... Quando tiver disponibilidade hei-de começar a ler...

E por último, na minha última visita a Lamego, como a estrada nacional estava em obras, fui obrigado a ir por um desvio... E eis senão quando deparo com uma placa: nesta casa nasceu Aquilino Ribeiro... Isto para dizer que a localidade onde Aquilino nasceu não é exactamente Sernancelhe, mas sim Carregal da Tabosa, algúres entre Sernancelhe e Moimenta da Beira, para quem for de carro nessa direcção e for obrigado a fazer um desvio... É que é uma injustiça para o Carregal da Tabosa!

Abraço

RIC disse...

Olá André!
Sabia que há dificuldades em encontrar os livros de Aqulino, mas que a miséria era tanta não me passava pela cabeça... É no mínimo uma grande vergonha para todos nós...
Aproveita o achado, porque tão cedo não verás nova edição! Ainda bem que tiveste essa sorte!
Quanto ao local de nascimento, é de facto como referes, mas para efeitos de divulgação internacional segui aqui o critério de indicar a localidade maior mais próxima, um pouco na lógica de «lugar de... freguesia de... concelho de...», que aliás consta da maioria das biografias disponíveis (que são bem poucas...)
Mas penaliza-me a injustiça...
Obrigado!
Um abraço! :-)

André Benjamim disse...

Isto porque enquanto lia os jornais, nos últimos dias, lia sempre Sernancelhe, e não encontrei nenhuma referência ao Carregal da Tabosa... Tanto que começei a duvidar das minhas memórias (estaria eu a confabular, não estaria escrito na placa "aqui nasceu"?, perguntei-me)... Então, fui ao mapa, e lá estava o nome da terra... só me lembrava do Carregal, mas não me recordava que era "da Tabosa"... Conhecendo as imprecisões de todos os géneros, no que se refere a livros escritores e literatura, em que os jornais são profícuos, acredito sinceramente que a maioria dos jornalistas pensa de facto que o Aquilino nasceu em Sernancelhe...

Adiante, de o Romance da Raposa e O Malhadinhas há edições recentes... Quanto a todos os outros títulos, nunca encontrei nenhum em nenhuma livraria. (O Malhadinhas era - não sei se ainda é - uma das hipóteses para estudo, quando fiz o 11.º ano, a par de Os Maias, Amor de Perdição, ou Uma Abelha na Chuva... o que explica a edição!)

RIC disse...

... E «O Romance da Raposa» era uma leitura extensiva possível no antigo unificado. Daí, ainda haver exemplares no mercado. Quanto a todos os outros títulos (que a Bertrand editou), fico mudo de pasmo...
Quanto ao que jornalistas escrevem sobre cultura em geral e literatura em particular (salvo as honrosas excepções dos nomes já feitos), o melhor será eu não entrar por aí... O da RTP que fez a entrevista/documentário sobre «A Casa Grande de Romarigães» disse que Camões estava no Panteão...
Palavras para quê?
Abraço! :-)