segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Da Língua Portuguesa (4)


"Ein jeder, weil er spricht, glaubt, auch über die Sprache sprechen zu können."

Qualquer um, porque fala, julga que também sabe falar sobre a língua.

Johann Wolfgang von Goethe

Acentuação dos advérbios em
"-mente" e de formas do Presente simples do Conjuntivo

«Estudei até ao antigo 11.º Ano na Área de Humanísticas.
Actualmente, sou formanda de um curso de qualificação profissional no Instituto de Emprego e Formação Profissional de Setúbal e no âmbito do mesmo tenho aulas de Português.
Pelo menos duas vezes, fui confrontada com ensinamentos que não me parecem correctos, tanto quanto me lembro das minhas aulas de Português na escola secundária.
Primeira: a formadora diz‑nos que "raramente" é uma palavra esdrúxula. Recordo ainda a minha excelentíssima professora da Escola Secundária, Dr.ª Ana Maria Parente, dizendo‑nos que todos os advérbios de modo são palavras graves. Não importa de que adjectivo venham; ao transformarem‑se em advérbios de modo, a sílaba tónica passa a ser "-men-", a penúltima, e, portanto, são palavras graves.
Confrontei a actual formadora com tal facto, e a referida senhora, não muito segura, informou‑me de que iria verificar no prontuário. Dias depois, reiterou perante a turma que "raramente" é efectivamente uma palavra esdrúxula.
Continuo céptica. Por favor, esclareçam‑me!

Segunda: esta senhora pôs‑nos hoje a completar frases com o presente do conjuntivo de alguns verbos. Uma das frases compreendia a primeira pessoa do plural do verbo "conseguir", que ela completou com "consígamos" (até o corrector ortográfico do computador discorda!). Mais uma vez, recordo a Dr.ª Ana Maria Parente dizendo-nos:
– Meninos! Não é "fáçamos", "tênhamos" ou "póssamos". É "façamos", "tenhamos" e "possamos".
Seguindo essa regra, será então "consigamos". Esta já eu verifiquei na vossa página e efectivamente não vejo acento no -i-. Mas, já agora…»

Palavras para quê?
A referida formadora é uma "artista" portuguesa que tudo deve à opulenta ignorância em que vive prazenteiramente atolada! Abençoada seja!
Pelos deuses do Olimpo que alto moram, ignorar as regras básicas de acentuação?! Será possível que a dita formadora não tenha sequer completado o 1.º ciclo do ensino básico?
Ou será analfabeta funcional? Há tantos por aí...
"Anda sob capa de letrado muito asno disfarçado" é um provérbio tão antigo…
Pobre formanda, que tem de se confrontar com quem é ignorante e não quer saber que qualquer aula se prepara – SEMPRE!

Aplica-se aqui um neologismo que só professores/formadores ignaros, incompetentes e irresponsáveis poderão conjugar:
"Que desensinemos quem já sabe é‑nos indiferente!"
[A sílaba tónica é "-ne-", já se vê, e a respectiva vogal, semiaberta.
"Desensinemos" é, pois, uma palavra grave ou paroxítona.]

Se não tivesse encontrado este apelo na nova secção de Linguística do "Público", juro pelos supracitados deuses que, se mo contassem, não acreditaria!
Uma coisa é certa: a formanda sabe mais Português do que a formadora de Português. Curioso facto…
Que raio é que está a passar‑se neste nosso País?!
Estaremos já na vanguarda das estatísticas relativas ao consumo absoluto de álcool per capita?
Bem, alguma vez há‑de ser a primeira em que haveremos de ser os primeiros em alguma coisa…
Magnanimamente!

RIC

8 comentários:

Joel disse...

Hi Ric!?

Wishing you a good day!?

Joel

RIC disse...

Hello Joel! Thank you very much! Likewise! Enjoy all your Christmas activities! :-)

pinguim disse...

Nem sei o que te diga, eu também fui professor, não de português, mas sei o que é ser professor. E no entanto, com tanta reclamação justa que está a haver, parece-me que a ministra pretende fazer algumas coisas boas, mas de uma forma incorrecta; é que há, no meio de tanta gente que exerce dignamente a sua profissão, cada vez mais "de risco", alguns "artistas" que merecem mesmo que haja alguém a examiná-los. Será o caso dessa formadora (?)...

RIC disse...

Olá João! Mas isto não é mesmo inacreditável?! Eu tentei moderar-me tanto quanto me foi possível, mas há coisas que realmente me enfurecem!
Acabo de estar com amigos a quem contei esta história «edificante». Ela, que já teve uma filha no básico, contou-me que uma «professora artista» corrigira uma vez a filha: a miúda escrevera «passear», que, com a correcção, passou a «paçiar» (sic)!...
Andará tudo mesmo bêbedo?...
Não sei o que pensar...
Quanto à ministra, dou-te razão. Muitas vezes, o modo de fazer as coisas torna-se mais importante do que as próprias coisas...
Um abraço amigo!

Ricardo disse...

Menino. isso ou uma aula de português ou eu estou enganado??

Beijão!

RIC disse...

Olá Ricardinho! Qual delas?! A primeira ou a segunda? A primeira é claramente uma aula de ignorância. A segunda poderá ser encarada como um breve apontamento para uma aula de Português, sem dúvida! Espero que tenhas gostado... (rsrsrs!)
Beijão para ti também!

/me disse...

:|
Irra. :|

RIC disse...

Olá Me!
Irra é pouco, muito pouco...