sábado, 22 de julho de 2006

O Mundo do Futebol (em Mudança?)

Some of you know by now this is the Football World Champion 2006 I cherish the most. I've been told he may have some bad temper, but that leaves me cold for I don't intend to get into any kind of relationship whatsoever with the guy...
His name's Daniele De Rossi, and all I care about is that his presence here is an honour!

De 2004 a esta parte, o aumento do número de fãs, adeptos/as e fanáticos/as de futebol é facto indesmentível e tem sido uma constante nacional. Qualquer credo religioso, partido político, sindicato ou entidade associativa relevante tudo daria e faria para registar nos respectivos anais um sucesso minimamente equiparável e de proporções semelhantes. Impossível.

Por todo o mundo, vai crescendo um movimento empático e simpático para com as coqueluches nacionais do desporto-rei. (Assim lhe chamam...) Países onde o uso de calções é considerado blasfemo e expressamente condenado vibram, mesmo assim, com as suas selecções, e as populações fazem ouvidos de mercador aos anátemas inflamados. Também as mulheres, cada vez mais atraídas pelos estádios e pelo que se passa dentro das quatro linhas, participando do ritual com um rigor e uma entrega nunca antes vistos, têm vindo a engrossar as hostes que, com regularidade e veneração, acompanham os craques nas suas deslocações nacionais e internacionais.

É mais um fenómeno global a juntar-se a todos os outros que já caracterizam e individualizam esta nossa era. No nosso Portugal ficou claro para todos - à excepção dos useiros e vezeiros Velhos do Restelo - que nenhum outro acontecimento, fosse ele qual fosse, nos galvanizaria mais do que, primeiro, o Europeu de 2004 e, agora, o Mundial da Alemanha.

Por mim falo e, já agora, aqui me confesso. Primeiro por ausência de tradição familiar - o meu pai e o meu avô interessavam-se por política, conquanto em campos opostos - e depois por causa dos interesses que fui desenvolvendo ao longo da adolescência (a natação ganhou os meus favores), nunca me senti minimamente atraído pelo espectáculo dado por vinte e dois marmanjos a correrem atrás de uma bola durante hora e meia. Nem mesmo outras inclinações minhas e de outros como eu nos levavam a encarar um jogo como uma oportunidade para ver, para apreciar, para eleger preferidos, numa idade em que o sangue ferve com facilidade. É óbvio: o mundo do futebol era outro e, em boa verdade, o dos jogadores também. Ou seja, era outra a cultura prevalecente. Em Portugal, claro está, integrava a trindade dos «efes», fazendo-se acompanhar pela mui grande e generalizada devoção a Fátima e pelo fado, este hoje em feliz processo de reencontro consigo próprio, sem preconceitos nem tabus (Mísia, Marisa...).

Hoje mantenho uma aversão quase alérgica, de estimação, às clubites agudas, ao discurso dos discursos dos dirigentes clubísticos, às insuportáveis atoardas de cariz pseudofilosófico de muito bom comentador, analista ou mero curioso, ou seja, a tudo o que afinal é exterior ou mesmo alheio ao jogo propriamente dito. E quero acreditar que aos jogadores também. E acredito.

O jogador é hoje um outro homem. A boçalidade do passado deu lugar a uma mais evidente correcção de modos e atitudes que, bem sei, não raras vezes é sujeita a tratos de polé em pleno campo. Eu não aceito - porque não tenho como compreender - que um jogador da inquestionável categoria mundial de Zinedine Zidane se tenha comportado da forma mais vergonhosa que algum ser humano civilizado pode exibir.

O jogador é hoje um homem do mundo, um ser cosmopolita, que vai fazendo a sua carreira em lugares e países diversos, aprendendo línguas, convivendo com outros usos e costumes, tornando-se assim mais consciente de si próprio e trabalhando a sua própria identidade. Pode até treinar envergando um colete cor-de-rosa... Quem ousaria fazê-lo há apenas dez ou quinze anos? Tudo isto só pode ser vantajoso e colher benefícios.

Decorre, pois, desta reflexão que posso convencer-me de que poderei gostar de futebol. Não é grave, não me diminui nos meus méritos, não me vincula a nada nem a ninguém e proporciona-me uns bons momentos de vivências emocionais diferentes daquelas a que há muito já me habituei. São outras as estesias a fruir. E vem a propósito trazer à berlinda - para os zurzir, é claro - uns quantos pseudomorigeradores anónimos que decidiram melhorar a imagem dos jogadores, conferindo-lhes o devido «recato e decoro» e transformando-os em ridículos pintos-calçudos.

Acredito que, graças aos papéis cada vez mais intervenientes e decisórios das mulheres, este e outros absurdos venham a ser eliminados a breve trecho. Porque elas sabem muito bem o que querem ver dentro das quatro linhas. E não apenas elas, óbvio. Cabe aqui um especial louvor aos bravi da squadra azzurri, Campeões do Mundo, não vá alguém esquecer, que sem preconceitos nem tabus se despiram para passar uma colecção de roupa interior de Dolce & Gabbana... E muitos/as serão aqueles/as que lhes ficarão muitíssimo gratos/as. Há que desbravar caminhos, a começar pelos insondáveis matagais dentro das cabeças. Afinal, o Mundo já não é só dos homens e para os homens. E o futebol, felizmente, não é excepção.

Força Portugal! Bravo Itália!

8 comentários:

Minge disse...

Do you want to give him a little kiss?

RIC disse...

A little???!!! In football nothing's little, mate! (lol)
And I'm sure you wouldn't want to know what I'd want to... Never mind. :-)

Minge disse...

Tell, tell, tell!

Joel disse...

Allo Ric!?

Merci d'être venus me voir. C'est très gentil.

J'aime mieux écrire en Anglais. Je me sens plus confortable.

Like midge, tell, tell, tell!?

Got pics???!!!

lol

He is so f**king cute.

E-mail me.
I usually always reply to comments by e-mail.

U, sir or sister, lol, got a pic?!

Thanks again for dropping by!?

J

David disse...

Please strip off his clothes firstly! then I tell you what I want to do!

RIC disse...

Well, TO YOU ALL, I'm very happy because it seems this blog is becoming what I've wished for - a «carrefour» (sorry for my French... but it's no obscene word: it means - as if you all didn't know (lol) - roadfork, I guess...).
I think I'll have to find out how Altavista handles such cases. I'd like that each and every one of you could easily read any post, no matter the language. As we say in Portuguese, I feel «like a fish in water», thanks to you all guys for being so supportive. Just a few weeks ago I couldn't even guess I'd be writing in English so easily and so comfortably.
Once again, many, many thanks!
Seize the day & be happy! You all deserve it very much. :-)

Minge disse...

Your mastery of the English language is superb, hen.

Anónimo disse...

hello

désolé pour ton ami mort en 1993...

bisous

raplik78@hotmail.fr

Bruno