sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Do erótico…

«L'endroit le plus érotique d'un corps n'est-il pas là où le vêtement bâille? […] Celui de la peau qui scintille entre deux pièces (le pantalon et le tricot), entre deux bords (la chemise entrouverte, le gant et la manche); c'est ce scintillement même qui séduit, ou encore: la mise en scène d'une apparition-disparition.»

Roland Barthes, Le plaisir du texte

Não é o lugar mais erótico de um corpo o ponto em que o vestuário se entreabre? [Na perversão, não há «zonas erógenas». É a intermitência, como muito bem o disse a psicanálise, que é erótica:] a da pele que cintila entre duas peças (as calças e a camisola), entre duas margens (a camisa entreaberta, a luva e a manga). É essa própria cintilação que seduz, ou ainda, a encenação de um aparecimento-desaparecimento.

Roland Barthes, O Prazer do Texto

… O que esconde é, pois, o que mostra…



«L'érotisme est l'accélérateur du désir et non sa décharge.
Il n'est pas non plus dans la suggestion de la transparence, ni dans la réduction du textile (du bikini à la minijupe).
Il est dans l'oscillation (le scintillement dit Barthes) entre le montrer et le cacher, l'apparaître et le disparaître.
Ici, il ne s'agit pas d'apprivoiser l'angoisse de la disparition, mais de stimuler l'excitation dans la concentration du désir au point où son objet se montre dans son éphémérité.»

Commentaire «nétique»

O erotismo é o acelerador do desejo e não a sua descarga.
Tão-pouco está na sugestão da transparência ou na redução do tecido (do biquíni à minissaia).
Está na oscilação (a cintilação, diz Barthes) entre o mostrar e o esconder, o aparecer e o desaparecer.
Aqui, não se trata de dominar a angústia do desaparecimento, mas de estimular a excitação na concentração do desejo no ponto onde o seu objecto se mostra na sua efemeridade.

Comentário «nético»

«Ce que cache mon langage, mon corps le dit.
Mon corps est un enfant entêté, mon langage est un adulte très civilisé…»

Roland Barthes, Fragments d’un discours amoureux

«O que a minha linguagem esconde, di-lo o meu corpo.
O meu corpo é uma criança teimosa, a minha linguagem é um adulto muito civilizado…»

Roland Barthes, Fragmentos de Um Discurso Amoroso

Traduções de RIC

À tous un excellent week-end!…
A todos um excelente fim-de-semana!…

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Al Grande Luciano Pavarotti!


Il principe ignoto:

Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che tremano d'amore
e di speranza…

Ma il mio mistero è chiuso in me,
il nome mio nessun saprà!
No, no, sulla tua bocca lo dirò,
quando la luce splenderà!

Ed il mio bacio scioglierà il silenzio
che ti fa mia.

Voci di donne:

Il nome suo nessun saprà…
E noi dovrem, ahimè, morir, morir!

Il principe ignoto:

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincerò!
Vincerò!
Vincerò!

Giacomo Puccini, Turandot, atto III.

The Prince:
Nobody shall sleep!… Nobody shall sleep! Even you, o Princess, in your cold room, watch the stars that tremble with love and with hope.
But my secret is hidden within me, my name no one shall know… No!… No!… On your mouth I will tell it when the light shines.
And my kiss will dissolve the silence that makes you mine!…

The Chorus of women:
No one will know his name and we must, alas, die.

The Prince:
Vanish, o night! Set, stars! Set, stars! At dawn, I will win! I will win! I will win!

I most surely had something else in mind for today…
At dawn it was.
He won.
Over death law.
As Camões so well put it some centuries ago, he «has freed himself from death law».
He is immortal now.

R. I. P.

RIC

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Em data de aniversário...

«Tive um dia a sensação – única em toda a minha vida – cortante como o gume afiado de uma faca a escorregar, ao de leve e como esquecida, por entre os dedos, que o mundo ia desabar sobre mim ou que o meu mundo estaria prestes a desmoronar-se. Uma notícia. Meia dúzia de palavras. O Diogo estava gravemente doente, e a sua vida estava seriamente ameaçada. Fiquei paralisado. Lembrei-me de imediato das suas palavras de muitos anos antes. Não terei uma vida longa.

Era Verão, mas um suor gelado aflorou-me a pele de todo o corpo, escorreu-me das têmporas e deixou-me as mãos enregeladas. Procurei a todo o custo minimizar a gravidade da situação. Escamoteei-a sem perceber o que fazia e quase cheguei a convencer-me de que tudo se recomporia apenas porque era esse o meu desejo. Mas a realidade não se compadece dos truques que arquitectamos para ver os nossos mais acérrimos desejos concretizados. A saúde do Diogo foi-se deteriorando, um processo lento, muito lento, que se arrastou por quase um ano e meio. Aos poucos, a debilidade foi-se acentuando e, por fim, o Diogo era já só uma sombra de si próprio.

Consciente da irreversibilidade da doença, de que o fim estava aprazado e revelando uma descomunal força anímica, foi conseguindo lidar com as recaídas que progressivamente o foram diminuindo até o deixarem quase inválido. Os tratamentos conjugados com as medicações variáveis atiravam-no com frequência para um terrível desespero e um sofrimento insuportável. O álcool, que até então fora apenas uma companhia nos momentos de convívio, passou a necessidade diária. Embora soubesse que não devia beber, pelo menos não daquele modo, o Diogo tinha sobre esse facto ideias tão claramente feitas que nenhum de nós, por muito que quisesse e tentasse, conseguia dissuadi-lo da sua certeza. E estranhamente, por mais que bebesse ao longo do dia, jamais o vi embriagado.

Continuámos a conversar ainda e sempre noite adentro sobre tudo o que nos interessava e distraía. Sabíamos ambos que o fim se aproximava a passos largos, mas nunca tocámos no assunto. Eu não conseguia e ele, creio que não queria. Quando o sofrimento inevitável passou a ser a constante dos dias e das noites, manteve ainda assim um comportamento heróico e uma atitude de tal modo digna que poucos foram os que se terão então realmente apercebido da gravidade terminal do seu estado.

Por essa época, um congresso profissional obrigou-me a uma deslocação a Veneza. Pressenti que aquele não era o momento certo para viajar, muito menos para Veneza. Num final de tarde cheguei à cidade por descobrir. Não era o progressivo esbatimento das cores, dos contornos, dos volumes dos edifícios que a mantinham arredia à natural curiosidade do recém-chegado. Aliás, tudo nela era identificável, ainda que sob um céu violáceo, com vastas e cada vez maiores nuvens cor de chumbo. Quem não reconheceria, nem que fosse apenas por um simples pormenor, tudo o que mostravam alguns filmes rodeados da aura de um inquietante mistério que naturalmente se soltava das pedras, das águas, pairava no ar e tudo envolvia?

Claude Monet - «Crépuscule à Venise»

Ao pôr o pé em terra firme, a luminosidade era ainda suficiente para reparar nas águas não muito limpas, por sobre as quais chegara. O trajecto seguinte foi obrigatório. Primeiro, entre um edifício e as águas do canal, por um estreito corredor, avançava uma massa compacta de gente, apenas se vislumbrando o que se encontrava mais distante. Ao perto, apenas se via a mole humana em movimento. Depois, aquela multidão desaguou numa praceta que seria insignificante, não fora o imponente palácio à direita, o dos Doges. Não tanto pela volumetria, mas porque sendo de uma pedra branca quase translúcida, parecia esvair-se nas tonalidades crepusculares que depressa se iam inclinando para o negro. O campanário, esse fundira-se já com a escuridão nocturna que, entretanto, se apoderara de tudo. A noite caíra pesada sobre aquelas pedras, e os candeeiros acenderam-se. De início, projectavam uma luz arroxeada que pouco ou nada iluminava. Apenas ensombrava o espaço em volta com um mistério ainda maior. Do nada foi-se desprendendo uma estranha inquietação que preencheu todos os recantos escusos de um silêncio embalado pelo tranquilo vaivém das águas, sempre próximas. Lentamente, a iluminação tornou-se azul, e os olhos foram-se habituando à soturnidade que aquela luz criava.

Em Agosto, a temperatura exterior era indiferente ao frio intenso que parecia vir do fundo da alma para se apoderar de todo o corpo. Aqui, a noite deve ter sido sempre assim, pensei. Após a travessia da praceta, onde alguns pararam para contemplar a espécie de colunata que circunda aquele estranho edifício, a multidão dissolveu-se como por magia na grandiosidade faustosa, quase oriental, daquela praça, a de S. Marcos, de piso inquietantemente irregular. Tive a sensação perturbadora – ou o pressentimento insustentável – de que o chão se abriria a qualquer instante, para tudo ser silenciosamente, secretamente tragado.

Havia alguma animação nos cafés cheios de História que ocupam as arcadas da praça. Os solos virtuosísticos de violinos barrocos, alegres quase sempre, opunham-se com violência ao negrume intimidante daquela praça. O contraste era fortíssimo. Tão forte que foi, uma vez mais, a irrealidade de um mistério por descobrir que tudo dominou. Levara comigo, numa cassete, o Adagietto da quinta sinfonia de Mahler. Por curiosidade, mas também por teimosia, queria voltar in loco às sensações, às emoções, aos sentimentos, quase todos tempestuosos, indefinidos, envoltos em densa bruma, que me haviam sempre abalado, das várias vezes que vi «Morte em Veneza». Foi difícil permanecer concentrado durante aqueles dez minutos. No fim, senti-me dominado por uma tristeza tão intensa, tão poderosa que temi pelo que pudesse acontecer nos instantes seguintes, ainda que tivesse tido o cuidado de fazer aquela experiência musical numa tarde soalheira, que reservei para o passeio solitário. Ao acaso, meti-me num vaporetto que percorria o Grande Canal. De repente, lembrei-me do Diogo. Uma certeza perversa cravou-se-me no espírito e não mais me largou. Amaldiçoei aquela bela cidade, a que nunca mais quis voltar. A cidade do amor é também a cidade da morte. E contra a minha vontade, veio-me à memória a canção-lamento de Aznavour «Que c'est triste Venise».

Quando cheguei a Lisboa, o Diogo estava já bastante mal. Para consultas, tratamentos e exames de rotina, deslocava-se com frequência ao hospital. Com uma vontade férrea mantivera-se inabalável, sem que ninguém o conseguisse demover, em ser internado apenas em caso de absoluta necessidade. Após o meu regresso, passei dois dias em sua casa e, meio a contragosto, tive de fazer o relato exaustivo do que vira em Veneza. Mas consegui calar tudo o que sentira. Pelos seus olhos brilhantes pareciam passar as imagens que iam ilustrando as minhas palavras. Pelo final da tarde, os pais chegavam. Davam-lhe todo o apoio possível e praticamente viviam em função dos cuidados com que o acarinhavam.

Na sexta-feira seguinte, de madrugada, sentiu sérias dificuldades em respirar. Pediu que o levassem ao hospital. Foi de imediato internado. Uma vez mais, quis convencer-me de que se tratava de uma crise séria mas controlável, e alimentei o sonho de que ele a superaria. E uma vez mais, enganei-me.»

(Dedicado à memória do Z. L./Diogo e da minha Mãe, que festejava hoje o seu aniversário.)

RIC

terça-feira, 4 de setembro de 2007

«C'est en septembre» | «September Morn»


Paroles - Gilbert Bécaud & Maurice Vidalin
Musique - Gilbert Bécaud & Neil Diamond
(1977)




Les oliviers baissent les bras
Les raisins rougissent du nez
Et le sable est devenu froid
Au blanc soleil
Maîtres baigneurs et saisonniers
Retournent à leurs vrais métiers
Et les santons seront sculptés
Avant Noël

C'est en septembre
Quand les voiliers sont dévoilés
Et que la plage tremble sous l'ombre
D'un automne débronzé
C'est en septembre
Que l'on peut vivre pour de vrai

En été mon pays à moi
En été c'est n'importe quoi
Les caravanes le camping-gaz
Au grand soleil
La grande foire aux illusions
Les slips trop courts, les shorts trop longs
Les hollandaises et leurs melons
De Cavaillon

C'est en septembre
Quand l'été remet ses souliers
Et que la plage est comme un ventre
Que personne n'a touché
C'est en septembre
Que mon pays peut respirer

Pays de mes jeunes années
Là où mon père est enterré
Mon école était chauffée
Au grand soleil
Au mois de mai, moi je m'en vais
Et je te laisse aux étrangers
Pour aller faire l'étranger moi-même
Sous d'autres ciels

Mais en septembre
Quand je reviens où je suis né
Et que ma plage me reconnaît
Ouvre des bras de fiancée
C'est en septembre
Que je me fais la bonne année

C'est en septembre
Que je m'endors sous l'olivier.















Stay for just a while
Stay, and let me look at you
It's been so long, I hardly knew you
Standing in the door
Stay with me a while
I only want to talk to you
We've traveled halfway round the world
To find ourselves again

September morn
We danced until the night became a brand new day
Two lovers playing scenes from some romantic play
September morning still can make me feel that way

Look at what you've done
Why, you've become a grown-up girl
I still can hear you crying
In the corner of your room
And look how far we've come
So far from where we used to be
But not so far that we've forgotten
How it was before

September morn
Do you remember how we danced that night away
Two lovers playing scenes from some romantic play
September morning still can make me feel that way

September morn
We danced until the night became a brand new day
Two lovers playing scenes from some romantic play
September morning still can make me feel that way.

… Será possível que estas canções tenham já 30 – trinta! – anos?…
Hoje deixo-vos com a francesa cantada por Bécaud, uma letra claramente mediterrânica.
Noutro dia ouvirão a versão mais «romântica» de Neil Diamond, de que me lembro sempre que Setembro chega e o Verão se despede…

RIC

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Nature in the centre of our concerns

«The New 7 Wonders of Nature launches the nominations that will continue through August 8th, 2008.
Then a panel of experts will create a list of 21 candidates from which voters worldwide will elect the 7 wonders of Nature.

Criteria to be observed:

• Nominations must be for a clearly defined natural site or natural monument that was not created or significantly altered by humans.

The nominees must be one of the following:
• a natural site;
• a natural monument;
• a landscape.

Categories that help us to sort and evaluate your proposals:

Animal reserve, Canyon, Cave, Cliff, Coastline, Desert, Fjord, Forest, Geological site, Glacier, Grotto, Lake, Mountain, Nature conservancy park, Oasis, Prehistoric natural site, Reef, River, Rock, Sea, Underwater world, Volcano, Water, Waterfall, Wood…

Eligible examples:

• Aletsch Glacier, Switzerland
• Baikal Lake, Russia
• Dinosaur Provincial Park, Canada
• Galapagos Islands, Ecuador
• Geirangerfjord, Norway
• Grand Canyon, USA
• Great Barrier Reef, Australia
• Iguaçu Waterfalls, Argentina/Brazil
• Ha Long Bay, Vietnam
• Kilimanjaro, Tanzania
• Redwood National Park, USA
• Sagramatha Park, Nepal
• Serengeti Park, Tanzania

The following examples are not valid:
Bird migrations, Gulf Stream, monsoon rain, shooting stars, North and South Poles, northern lights, Milky Way…

Note: As this is the nomination phase and not yet a vote we want a wide range of sites to help create the most diverse list possible for later voting.»

Salto Ángel, Venezuela

Here is the link to the site where you can make your 7 nominations.

And here are a few suggestions I submit to your judgement and opinion; maybe I'll nominate them later:

• Amazon rainforest, South America;
• Angel Falls (Salto Ángel), Venezuela;
• Mariana trench, Marianas Islands;
• Mount Everest, Nepal;
• Ngorongoro crater, Tanzania;
• Okavango delta, Botswana;
• Santorini Island's caldera, Greece.

Maybe this is not the best way to be concerned with Nature, but at least it may bring some visibility to a few world areas that indeed deserve common attention.

domingo, 2 de setembro de 2007

Aconchego de noctívagos…


UM EXCERTO DE ODE
(FIM DE UMA ODE, NATURALMENTE)

I
..................................................................

Vem, Noite, antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faz da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora,
Na distância subitamente impossível de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter connosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos…
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos,
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora da relação com o que há na vida.

Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.


Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Ebúrnea das Tristezas dos Desesperados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes,
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu te tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, xintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde – quem sabe? – Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realmente e mandando tudo…

Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
Ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!

Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso e inútil.

Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração…
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranquilamente como um gesto materno afagando,
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar,
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem,

A lua começa a ser real.

Álvaro de Campos
30 de Junho de 1914


RIC

sábado, 1 de setembro de 2007

C'est en septembre…

«Avec le temps… Avec le temps, va, tout s'en va, on oublie le visage et l'on oublie la voix, le cœur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien.

Avec le temps… Avec le temps, va, tout s'en va, l'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie, l'autre qu'on devinait au détour d'un regard, entre les mots, entre les lignes et sous le fard d'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit… Avec le temps tout s'évanouit.

Avec le temps… Avec le temps, va, tout s'en va, même les plus chouettes souvenirs, ça tu as une de ces gueules, à la Galerie je farfouille dans les rayons de la mort, le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule.


Avec le temps… Avec le temps, va, tout s'en va, l'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien, l'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux, pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous, devant quoi l'on se traînait comme traînent les chiens… Avec le temps, va, tout va bien.

Avec le temps… Avec le temps, va, tout s'en va, on oublie les passions et l'on oublie les voix qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens, ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid.

Avec le temps… Avec le temps, va, tout s'en va, et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu, et l'on se sent glacé dans un lit de hasard, et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard, et l'on se sent floué par les années perdues…

Alors vraiment, avec le temps on n'aime plus…»

Léo FERRÉ

… Quando há pouco mais de um ano «baptizei» este espaço, não me passava pela cabeça um décimo, um centésimo sequer, do que, um ano mais tarde, viria aqui a encontrar…
Praticamente nada me surpreende realmente, talvez porque tudo tenha muito que ver comigo próprio, com o meu íntimo, mesmo que pareça a quem lê que estou distante por ser a 3.ª pessoa que prevalece sobre a 1.ª.
A verdade é que, se não me digo, faço com que as «coisas» me digam a mim. E assim o meu retrato vai ficando cada vez mais nítido, dia após dia…
Por todas as motivações que fui recebendo de todos os bloguistas amigos, o meu sincero muito obrigado.

When I «baptized» this space over a year ago, it didn't go through my mind one tenth, not even one hundredth, of what, one year later, I would come to find here…
Practically nothing really surprises me, maybe because everything has a lot to do with myself, with my inner being, even if it seems to the one who reads that I am distant, for being the 3rd person that prevails over the 1st.
The truth is, if I do not speak of me, I do «things» speak for myself. Thus my portrait becomes clearer each and every time, day after day…
For all the motivations that I've been receiving from all of the blogger friends, my sincere thank you very much.

RIC

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Cyril Collard in memoriam

«Je remonte la rua das Janelas Verdes. J'entre au musée des Arts anciens. C'est sombre et frais. Je reste longtemps devant un polyptyque du quinzième siècle attribué à Nuno Gonçalves où est représentée la vénération de saint Vincent de Fora par des personnages de l'Église, des militaires et des bourgeois.

Dehors, tout a changé. La pluie s'est arrêtée. Je m'assois sur un vieux banc en bois du jardin du 9-Avril. Le soleil frappe mon visage du côté droit. Le port est là, en contrebas, passé les rails du tramway et ceux du train qui longe la côte vers Estoril; ensuite c'est le Tage, vert clair, piqué de moutons; les grues qui cachent presque entièrement le Christ Roi érigé sur l'autre rive; des cheminées, des coques de navires.

Il fait beau comme jamais. Je suis vivant; le monde n'est pas seulement une chose là, extérieure à moi-même: j'y participe. Il m'est offert. Je vais probablement mourir du sida, mais ce n'est plus ma vie: je suis dans la vie.»

Cyril Collard, Les nuits fauves

A adaptação cinematográfica, realizada e protagonizada pelo autor, foi galardoada com o César para o melhor filme de 1993.


Cyril Collard nasceu em Paris, a 19 de Dezembro de 1957. Quando se realizou a cerimónia para a entrega dos Césares, Cyril já não esteve presente. Faleceu em Paris, a 5 de Março de 1993.

Romance e filme são retratos crus de um estilo de vida que condenaria tantos a uma morte prematura. Cyril sabia que estava a caminho do fim e como que ganhou asas para realizar o filme que foi o seu canto do cisne.

O final apresenta cenas de grande beleza rodadas em Lisboa, entre as quais recordo uma travessia da ponte 25 de Abril num descapotável: um lancinante grito de apelo – e um vibrante testemunho de apego – à vida.


«Subo a Rua das Janelas Verdes. Entro no Museu de Arte Antiga. Está sombrio e fresco. Fico bastante tempo em frente de um políptico do século XV atribuído a Nuno Gonçalves que representa a veneração de São Vicente de Fora por personalidades da Igreja, militares e burgueses.

Lá fora tudo mudou. A chuva parou. Sento-me num velho banco de madeira do Jardim 9 de Abril. O sol bate-me no rosto do lado direito. O porto fica ali em baixo, para lá dos carris do eléctrico e do comboio que segue ao longo da costa em direcção ao Estoril. A seguir fica o Tejo, verde-claro, encarneirado; os guindastes que quase por completo escondem o Cristo-Rei erigido na outra margem; chaminés, cascos de navios.

Está mais agradável que nunca. Estou vivo. O mundo não é apenas uma coisa existente, exterior a mim próprio: participo nele e ele é-me dado. Provavelmente vou morrer de sida, mas já não é a minha vida. Eu sou parte da vida.»

As Noites Fulvas

Tradução de RIC

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Ingmar Bergman – efter en månad…

«Till vår bästa vän Ingmar, som jag vill minnas alltid, som den som har i sin blick den nordiska sommarens solljus… Tack så mycket!»


Ingmar Bergman och Liv Ullmann

«Höstsonaten» – Liv Ullmann och Ingrid Bergman

My favourite films

Sommaren med Monika (Mónica e o Desejo)
En lektion i kärlek (Uma Lição de Amor)
Det sjunde inseglet (O Sétimo Selo)
Smultronstället (Morangos Silvestres)
Persona (A Máscara)
Viskningar och rop (Lágrimas e Suspiros)
Trollflöjten (A Flauta Mágica)
Ormens ägg / Das Schlangenei (O Ovo da Serpente)
Höstsonaten (Sonata de Outono)
Ur marionetternas liv / Aus dem Leben der Marionetten (Da Vida das Marionetas)
Fanny och Alexander (Fanny e Alexandre)

You'll find a most exhaustive register of Bergman's wide-ranging work
here.

This is only my humblest tribute to a great man and an even greater artist.

RIC

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Um recado – muito – importante!


Recentemente, Bill Gates fez uma alocução numa escola secundária sobre onze factos que os alunos não aprenderiam – nem aprenderão! – na escola.

Referiu como as pedagogias lúdicas, politicamente correctas, criaram uma geração de indivíduos sem nenhum conceito da realidade, e como essa falácia os armadilhou para o falhanço no mundo real.

Regra 1: A vida não é justa: habituem-se à ideia!

Regra 2: O mundo não quer saber da vossa auto-estima. O mundo espera que vocês realizem algo ANTES de se sentirem bem convosco próprios.

Regra 3: Não vão ganhar mil euros por mês (*) mal saiam da escola secundária; nem serão vice-presidentes com telefone no carro enquanto não tiverem merecido ambos.

Regra 4: Se pensam que o vosso professor é duro e exigente, esperem até terem um patrão!

Regra 5: Servir hambúrgueres não belisca a vossa dignidade. Os vossos avós tinham uma palavra diferente para servir hambúrgueres: chamavam-lhe oportunidade.

Regra 6: Se fizerem asneira, a culpa não é dos vossos pais; portanto, nada de lamúrias sobre os vossos erros; aprendam com eles!

Regra 7: Antes de vocês nascerem, os vossos pais não eram tão chatos como são agora. Começaram a sê-lo por pagarem as vossas despesas, por limparem a vossa roupa e por vos ouvirem dizer que vocês é que são fixes. Assim, antes de quererem salvar a floresta equatorial de parasitas da geração dos vossos pais, tentem desparasitar os roupeiros dos vossos quartos.

Regra 8: A vossa escola pode ter abolido vencedores e vencidos, mas a vida NÃO. Em alguns casos, até as reprovações foram abolidas, e vocês têm TANTAS VEZES quantas quiserem para dar a resposta certa. Isto não tem a mínima semelhança com QUALQUER COISA na vida real.

Regra 9: A vida não se divide em períodos. Não há Verões inteiros de férias, e muito poucos empregadores estarão interessados em ajudar-vos a ENCONTRAREM-SE. Façam isso no vosso tempo livre.

Regra 10: A televisão NÃO é a vida real. Na vida real, as pessoas têm realmente de sair do café e ir para os seus trabalhos.

Regra 11: Sejam simpáticos para com os marrões. É altamente provável que acabem por trabalhar para um deles…

(*) Adaptação à realidade portuguesa.

Se concordar, faça circular este recado.
Se tiver filhos em idade escolar, faça-os lê-lo.
… E, já agora, por ter podido lê-lo, agradeça ao seu professor...

Encontrará o texto original
aqui.

Thank you so very much, dear M.!

Traduzido por RIC

terça-feira, 28 de agosto de 2007

João Domingos Bomtempo


Nasce em Lisboa a 28 de Dezembro de 1775, filho de um oboísta italiano, Francesco Saverio Bomtempo, e de uma portuguesa. Realiza os primeiros estudos musicais com o pai, oboísta da orquestra real de D. José, continuando-os mais tarde no Seminário Patriarcal de Lisboa. Aos 14 anos torna-se cantor na capela real da Bemposta e, aos 20, por falecimento do pai, substitui-o no cargo de oboísta da Real Câmara.

Em 1801, com 26 anos, parte para Paris para aprofundar os seus estudos musicais, nomeadamente do piano, tendo-se aí tornado amigo de Clementi, Cramer, Field e Dussek, entre outros.

Inicia-se um período de grande notoriedade para Bomtempo, quer como pianista, quer como compositor e, mais tarde, como professor. Surgem as primeiras publicações de composições suas (Grande Sonata para piano, op. 1, e os primeiros dois concertos para piano, op. 2 e 3 respectivamente), e afirma-se a sua popularidade em Paris, onde brilha nos salões como solista.

Contudo, as invasões napoleónicas da península Ibérica comprometem a sua estada em França, pelo que abandona Paris em 1810.

O período de 1810 a 1814, em que permanece ininterruptamente em Londres, é fértil em produções, entre as quais, por exemplo, as 3 Grandes Sonatas, op. 9, o Hino Lusitano, op. 10, a I Grande Sinfonia, op. 11, a Marcha de Lord Wellington, bem como outras sonatas e concertos.

Com o afastamento do perigo napoleónico e a reorganização da Europa saída do Congresso de Viena de 1815, a mobilidade de Bomtempo é muito maior, passando a circular sem constrangimentos entre Londres, Paris e Lisboa. Compõe a cantata A Paz da Europa e, paralelamente, desenvolve a sua actividade pedagógica publicando em Londres uma obra didáctica "Elementos de Música e Método de Tocar Pianoforte", a qual é, segundo afirma na dedicatória, "oferecida à Nação Portuguesa".

De regresso a Portugal, dedica-se à composição da que é considerada a sua obra-prima, o Requiem em Memória de Camões, integrada no mesmo espírito de revivalismo que tinha originado a publicação da famosa edição de «Os Lusíadas» pelo Morgado de Mateus em França.

Em 1820, e na sequência do movimento liberal em Portugal, Bomtempo regressa a Lisboa, desde logo mostrando-se simpatizante da causa e compondo diversas obras evocativas desses novos tempos.

É o caso, por exemplo, da Missa "composta em obséquio da Regeneração Portuguesa" que será executada, juntamente com o Te Deum, na festa do juramento das Bases da Constituição, na Igreja de São Domingos, a 29 Março de 1821. No mesmo ano dirige o Requiem em primeira audição lisboeta, na mesma igreja, em memória dos supliciados de 1817 e do General Gomes Freire de Andrade. Compõe ainda uma Serenata que inclui várias variações sobre o Hino da Carta.

Bomtempo torna-se o compositor solicitado para a celebração de diversos actos oficiais e/ou litúrgicos da Corte. Ao mesmo tempo, tenta implantar em Portugal o gosto pela música instrumental, que estava a desenvolver-se na Europa, através da criação de uma Sociedade Filarmónica de concertos, segundo o modelo da sua congénere londrina, em cujos concertos pretendia dar a conhecer não apenas a sua música, mas igualmente a dos clássicos vienenses.

Durante o conturbado período que culminou com a vitória dos liberais em 1833, Bomtempo viu as suas actividades francamente restringidas, tendo-se alegadamente refugiado no consulado da Rússia e escapado de ser preso durante as amotinações populares em que participou – as célebres "archotadas".

Com a tomada do poder por D. Pedro IV, Bomtempo é nomeado professor de D. Maria II e agraciado com a Comenda da Ordem de Cristo.


Em Junho de 1834 retoma o projecto de criação de um estabelecimento de ensino da música, que ficara adiado em 1822, apresentando o respectivo plano, o qual teve por despacho "guarde-se para se tomar em consideração em tempo oportuno". Finalmente, a 5 de Maio de 1835, é criado por decreto o "Conservatório de Música" que ficou anexo à Casa Pia e do qual Bomtempo foi nomeado director.

A 18 de Agosto de 1842 morre com 66 anos, vítima de uma "apoplexia".

Alguns esforços têm sido feitos para divulgar a música de João Domingos Bomtempo, nomeadamente algumas gravações, mas a grande parte mantém-se desconhecida e inédita. Conhecem-se duas sinfonias, embora se admita a existência de mais cinco (!), que transmitem de um modo mais flagrante a sua personalidade musical e as suas influências invulgares para compositor ibérico da época, nomeadamente as germânicas clássicas.

RIC (a partir de texto biográfico de Maria José Borges)


English summary

João Domingos Bomtempo was a Portuguese classical pianist, composer and pedagogue. He was son of an Italian musician of the Portuguese court orchestra, and studied at the Music Seminary of the Patriarchal See in Lisbon.
Unlike most of his contemporaries, he was not interested in opera and, in 1801, instead of going to Italy, he travelled to Paris, starting a virtuoso pianist career. He moved to London in 1810 and got acquainted with the liberal circles. In 1822 he returned to Lisbon and tried to found a Philharmonic Society to promote public concerts of contemporary music.
After the Portuguese civil war between liberals and absolutists, Bomtempo became a music teacher of Queen Maria II and first director of the National Conservatory, created in 1835.
As a composer, Bomtempo produced a vast amount of concertos, sonatas, variations and fantasias for the piano. His two known symphonies are the first to be composed by a Portuguese musician.
His masterpiece is his Requiem to the Memory of Luís de Camões.

Wikipedia

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

«Sous le signe du… cygne»

Charles Baudelaire

«Le Cygne»

À Victor Hugo

I

Andromaque, je pense à vous ! Ce petit fleuve,
Pauvre et triste miroir où jadis resplendit
L'immense majesté de vos douleurs de veuve,
Ce Simoïs menteur qui par vos pleurs grandit,

A fécondé soudain ma mémoire fertile,
Comme je traversais le nouveau Carrousel.
Le vieux Paris n'est plus (la forme d'une ville
Change plus vite, hélas! que le cœur d'un mortel) ;

Je ne vois qu'en esprit tout ce camp de baraques,
Ces tas de chapiteaux ébauchés et de fûts,
Les herbes, les gros blocs verdis par l'eau des flaques,
Et, brillant aux carreaux, le bric-à-brac confus.

Là s'étalait jadis une ménagerie ;
Là je vis, un matin, à l'heure où sous les cieux
Froids et clairs le Travail s'éveille, où la voirie
Pousse un sombre ouragan dans l'air silencieux,

Un cygne qui s'était évadé de sa cage,
Et, de ses pieds palmés frottant le pavé sec,
Sur le sol raboteux traînait son blanc plumage.
Près d'un ruisseau sans eau la bête ouvrant le bec

Baignait nerveusement ses ailes dans la poudre,
Et disait, le cœur plein de son beau lac natal :
« Eau, quand donc pleuvras-tu? quand tonneras-tu, foudre ? »
Je vois ce malheureux, mythe étrange et fatal,

Vers le ciel quelquefois, comme l'homme d'Ovide,
Vers le ciel ironique et cruellement bleu,
Sur son cou convulsif tendant sa tête avide,
Comme s'il adressait des reproches à Dieu !

II

Paris change ! mais rien dans ma mélancolie
N'a bougé ! palais neufs, échafaudages, blocs,
Vieux faubourgs, tout pour moi devient allégorie,
Et mes chers souvenirs sont plus lourds que des rocs.

Aussi devant ce Louvre une image m'opprime :
Je pense à mon grand cygne, avec ses gestes fous,
Comme les exilés, ridicule et sublime,
Et rongé d'un désir sans trêve ! et puis à vous,

Andromaque, des bras d'un grand époux tombée,
Vil bétail, sous la main du superbe Pyrrhus,
Auprès d'un tombeau vide en extase courbée ;
Veuve d'Hector, hélas ! et femme d'Hélénus !

Je pense à la négresse, amaigrie et phtisique,
Piétinant dans la boue, et cherchant, l'œil hagard,
Les cocotiers absents de la superbe Afrique
Derrière la muraille immense du brouillard ;

A quiconque a perdu ce qui ne se retrouve
Jamais, jamais ! à ceux qui s'abreuvent de pleurs
Et tettent la Douleur comme une bonne louve !
Aux maigres orphelins séchant comme des fleurs !

Ainsi dans la forêt où mon esprit s'exile
Un vieux Souvenir sonne à plein souffle du cor!
Je pense aux matelots oubliés dans une île,
Aux captifs, aux vaincus !… à bien d'autres encor !

Les Fleurs du Mal (1857)



«O Cisne»

A Victor Hugo

I

Andrómaca, penso em ti! O pequeno rio,
Pobre e triste espelho onde outrora brilhou tanto
A imensa majestade do teu desvario,
O falso Simóis regado pelo teu pranto,

Fecundou num clarão minha fértil saudade,
Quando eu andava pelo novo Carrousel.
Foi-se a velha Paris (a forma da cidade
Muda mais rápido que o coração, infiel);

Só na memória revejo os velhos sobrados,
Pedaços de colunas, montes de argamassa,
As ervas, o limo nos muros esverdeados
E o bricabraque reluzindo nas vidraças.

Ali havia noutros tempos um viveiro;
Lá eu vi, certa manhã, quando sob o céu
Frio e claro o Trabalho acorda e o nevoeiro
De pó sobe das ruas como negro véu,

Um cisne, que da gaiola havia escapado,
E, esfregando os pés no calçamento incerto,
Arrastava as plumas brancas no chão crestado.
Perto de um rego sem água, o bico aberto,

Banhava as asas na poeira, com aflição,
E dizia, sonhando com o lago natal:
"Água, quando choverás? Onde estás, trovão?"
Vejo a ave infeliz, mito estranho e fatal,

Apontar para o céu como o homem de Ovídio,
Para o céu irónico de um azul maldoso,
Torcendo a cabeça sobre o pescoço ofídio,
Como amaldiçoando o Todo-poderoso!

II

Paris muda! Mas na minha melancolia
Nada mudou! Velhas ruas, nova cidade,
Palácios, para mim tudo é alegoria
E nada pesa mais do que a minha saudade.

Diante do Louvre, uma imagem me oprime.
Penso no meu grande cisne, fora de si,
Como os exilados, ridículo e sublime,
Roído pelo desejo! E penso em ti,

Andrómaca, esposa de um herói bravio,
Escrava que Pirro tratou como um feitor,
Curvada em pranto sobre um túmulo vazio;
Mulher de Heleno, a viúva de Heitor!

Eu penso na negra, esquálida e doente,
Os pés na lama, o olhar perdido a buscar
Um coqueiral da África, inexistente,
Atrás do muro de névoa de um boulevard;

Penso em quem perdeu o que não se recupera
Jamais, jamais! Em quem mata a sede chorando
E mama na Dor como numa boa fera!
Nos órfãos famintos, como flores murchando!

Na floresta onde o meu espírito se esconde
Estas lembranças soam por todos os cantos!
Penso nos náufragos, largados não sei onde,
Nos presos, nos vencidos!… E noutros, tantos!

Tradução de Jorge Pontual, em «New York on Time»



Tive decerto a inaudita sorte de encontrar esta magnífica tradução portuguesa que me deixou completamente rendido e extasiado…
A tal ponto que já não sei exactamente de que poema gosto mais – se do francês, se do português…
Há tradutores que, porventura, estarão na posse da divina chave secreta…
Uma excelente semana para todos!

RIC

domingo, 26 de agosto de 2007

Regalo para os olhos e a fantasia...

O prometido é devido, e neste caso é bem verdade que o prazer é todo meu e a honra também!
Mostro, hoje e aqui, a arte pictórica de um amigo bloguista que, pelo que pude verificar, é mais conhecido – e mais premiado também – como cartoonista, mas a sua pintura, a meu ver, ombreia facilmente com a de nomes nacionais consagrados. Nicknames à parte, apresento António Ferreira dos Santos.


Ascensão

Barroco

Devaneio

Outono 2

Paisagem

Vitral

Muito obrigado, António, por esta oportunidade e pela tua arte!

Para um contacto in loco com o pintor e o cartoonista, aqui fica o elo para o seu blogue «Cartoonices – Retalhos da arte de um cartoonista». Vão lá ver e deliciem-se!

Dedico este édito – para mim, muito especial – à memória já saudosa do professor, intelectual, escritor e figura cimeira da cultura portuguesa, Eduardo Prado Coelho.

RIC

sábado, 25 de agosto de 2007

Georges Bataille e o Erotismo

«Bataille démontre en quoi l'érotisme est une expérience de nature divine, sacrée, que l'Église s'est efforcée de dévaloriser.
Les termes de tabou et de transgression sont également analysés.
Entré au séminaire à l'âge de vingt ans, Georges Bataille admet rapidement la faillite de sa vocation religieuse. Il se rend dès lors à l'école des Chartes pour y suivre une formation d'archiviste, enrichie d'une initiation à la psychanalyse et à la philosophie.
La lecture des œuvres de Nietzsche, la fréquentation des surréalistes et la rencontre de Laure le convainquent d'échapper à la médiocrité du monde par l'excès, la transgression et l'érotisme.
Ces résolutions lui inspirent récits (L'abbé C.) et essais (L'expérience intérieure) qu'il rédige tout en poursuivant sa carrière de conservateur de bibliothèque. Grâce à l'aide de Roger Caillois et Michel Leiris, il a également fondé un collège de sociologie sacrée, ainsi que la revue philosophique "Acéphale", militant pour une lecture non fasciste de Nietzsche.
Ses œuvres complètes, "somme athéologique", témoignent de son érudition et de la diversité de ses engagements: littérature, théologie, économie, politique, histoire de l'art, érotisme…
Écrivain longtemps maudit, Bataille a été encensé à sa mort par une nouvelle génération d'auteurs et de philosophes, dont Philippe Sollers ou Michel Foucault.»



O erotismo de um rosto e de um olhar

Bataille demonstra como o erotismo é uma experiência de natureza divina, sagrada, que a Igreja se tem esforçado por desvalorizar.
Os termos de tabu e de transgressão são igualmente analisados.
Tendo entrado para o seminário aos vinte anos, Georges Bataille admite rapidamente o insucesso da sua vocação religiosa. Entra então para a escola des Chartes para seguir uma formação de arquivista, enriquecida por uma iniciação à psicanálise e à filosofia.
A leitura das obras de Nietzsche, o convívio com os surrealistas e o encontro com Laure convencem-no a escapar à mediocridade do mundo pelo excesso, transgressão e erotismo.
Estas decisões inspiram-lhe narrativas ("O Abade C.") e ensaios ("A Experiência Interior") que redige ao mesmo tempo que prossegue a sua carreira de conservador de biblioteca. Graças à ajuda de Roger Caillois e Michel Leiris, fundou igualmente um colégio de sociologia sacra, bem como a revista filosófica "Acéphale", que milita por uma leitura não fascista de Nietzsche.
As suas obras completas, "suma ateológica", testemunham da sua erudição e da diversidade dos seus compromissos: literatura, teologia, economia, política, história da arte, erotismo…
Escritor muito tempo maldito, Bataille foi incensado ao morrer por uma nova geração de autores e filósofos, entre os quais Philippe Sollers e Michel Foucault.

Tradução de RIC


O erotismo de um olhar e de um sorriso

… E até a própria música não é alheia ao erotismo que decorre da feliz combinação dos sons e dos silêncios.
Gozem um feliz fim-de-semana!…

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ted and Sylvia

Edward James Hughes (August 17th, 1930 - October 28th, 1998) is the English poet and children's writer known as Ted Hughes.

Critics routinely rank him as one of the best poets of his generation. He was British Poet Laureate from 1984 until his death.


Ted Hughes was married from 1956 to 1963 to the American poet Sylvia Plath, who committed suicide in 1963 at the age of 30. His part in the relationship became controversial, particularly to some feminists and American admirers of Plath.

Hughes himself never publicly entered the debate, but his last poetic work – "Birthday Letters", 1998 – explored their complex relationship, and to many, put him in a significantly better light.

Hughes studied English, anthropology and archaeology at Pembroke College, Cambridge. At a party to launch the poetry magazine "St. Botolph's Review" he met Sylvia Plath, and they married just four months thereafter.

The couple moved to the United States, settling in western Massachusetts. After spending time in Boston, they returned to England. They had two children, but separated in the autumn of 1962. Ted continued to live at Court Green, Devon, on and off, with Assia Wevill, after Plath's death on February 11th, 1963.

As Plath's widower, Hughes became the executor of her personal and literary estates. He oversaw the publication of her manuscripts, including "Ariel" in 1966. He also claims to have destroyed the final volume of Plath's journal, detailing their last few months together. In his foreword to "The Journals of Sylvia Plath", he defends his action as a consideration for the couple's young children.

Ted Hughes continued to live at the house in Devon until his death by heart attack on October 28th, 1998, while undergoing treatment for colon cancer.

He received the Order of Merit from Queen Elizabeth II just before his death.

In 2003 he was portrayed by British actor Daniel Craig in Sylvia, a biographical film of Sylvia Plath, portrayed by Gwyneth Paltrow.

Wikipedia (abridged and adapted)


Lovesong

He loved her and she loved him.
His kisses sucked out her whole past and future or tried to
He had no other appetite
She bit him she gnawed him she sucked
She wanted him complete inside her
Safe and sure forever and ever
Their little cries fluttered into the curtains

Her eyes wanted nothing to get away
Her looks nailed down his hands his wrists his elbows
He gripped her hard so that life
Should not drag her from that moment
He wanted all future to cease
He wanted to topple with his arms round her
Off that moment's brink and into nothing
Or everlasting or whatever there was

Her embrace was an immense press
To print him into her bones
His smiles were the garrets of a fairy palace
Where the real world would never come
Her smiles were spider bites
So he would lie still till she felt hungry
His words were occupying armies
Her laughs were an assassin's attempts
His looks were bullets daggers of revenge
His glances were ghosts in the corner with horrible secrets
His whispers were whips and jackboots
Her kisses were lawyers steadily writing
His caresses were the last hooks of a castaway
Her love-tricks were the grinding of locks
And their deep cries crawled over the floors
Like an animal dragging a great trap
His promises were the surgeon's gag
Her promises took the top off his skull
She would get a brooch made of it
His vows pulled out all her sinews
He showed her how to make a love-knot
Her vows put his eyes in formalin
At the back of her secret drawer
Their screams stuck in the wall

Their heads fell apart into sleep like the two halves
Of a lopped melon, but love is hard to stop

In their entwined sleep they exchanged arms and legs
In their dreams their brains took each other hostage

In the morning they wore each other's face.

Ted Hughes

RIC

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Da vil mesquinhez nacional

«Os bens supérfluos tornam a vida supérflua.»

Pier Paolo Pasolini (1922-75)

«Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não o dá a Pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.»

Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, X-145

Eu estou – e estaremos muitos, decerto, e felizmente! – cansadíssimos e fartíssimos da mediocridade mesquinha, pacóvia, provinciana, pirosa e bacoca que, dia a dia, vai proliferando neste cantinho peninsular. Mas é sabido que ela é endémica entre nós, como Camões bem no-lo fez notar.

Ainda que de uma forma intensa e ácida, chamando as coisas pelos nomes e pegando o touro pelos cornos, adjectivando e adverbializando, polemizar não cai nunca no insulto gratuito, na boca rasca ou no paleio acintoso.

Polemizar implica argumentar. E argumentar implica a organização lógica do discurso. E porque é por escrito, não pode haver lugar para subentendidos, alusões bacocas ou insinuações grotescas que a comunicação presencial «aguenta» por força da gestualidade. E ainda porque é por escrito, não se compadece com conversas de café sobre futebol e gajas boas, ou trapos e gajos bons – entre outros «temas»…

Há que manter o nível, mesmo no calor mais intenso da refrega mais desapiedada. E para saber fazê-lo é necessário não perder nunca de vista um valor primordial que, nos dias de hoje e de igual modo por todo o mundo, está cada vez mais arredado das relações humanas – com seriíssimos prejuízos para as nossas vidas – o respeito.

Portugal envolto em fumos mentais

Recuso-me a aceitar quaisquer «campanhas» destinadas à promoção da toleranciazinha, com a mensagem subliminar de «olhar para o lado para não insultar ou mesmo para não chegar a vias de facto». Desconfio da tolerância.

Exijo para mim, outrossim, o respeito; aquele mesmo que devo – e dou – aos outros. Nada mais. Promove-se a toleranciazinha tal como nos idos de sessenta se apregoava a caridadezinha: atitude abjecta e abominável!

Com o que é que somos confrontados a todos os níveis, sempre que se trata de qualquer polémica? Com meras picardias de baixo nível, com insultos e bengaladas à mistura, porrada verbal, banditismo e terrorismo argumentativo, discursos ornados dos useiros e vezeiros palavrões e obscenidades e sujeitos a lógicas fortuitas e aleatórias, sem qualquer intenção de convencer o adversário ou sequer de derrotá-lo inteligentemente. O que triunfa é a repugnante esperteza saloia, maledicente, que prevalece sobre tudo e sobre todos, alastrando até a níveis e a áreas onde ainda há pouco era impensável – quanto mais admissível… – que tais práticas se verificassem.

Aborreço as questiúnculas ocas e os despiques infantis que conduzem a nada vezes nada. Tenho para mim que todo o tempo é pouco para viver cada vez melhor: conviver, aprender, trocar ideias e opiniões, construir, sempre numa base insofismável de verdade e boa-fé. Tudo o que se afasta deste cânone remete-me invariavelmente para a indiferença e o silêncio.

Seremos cada vez mais terceiro-mundistas em termos de princípios e valores, e o nosso «primeiro mundo» será cada vez mais tão-só uma mera miragem, um arrebique de fachada, fruto sobretudo de mirabolantes manipulações estatísticas.

É uma casa portuguesa, com certeza!

RIC

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

«No sé tú»…


Cisne Negro (cygnus atratus)

No sé tú
pero yo no dejo de pensar
ni un minuto me logro despojar
de tus besos, tus abrazos
de lo bien que la pasamos la otra vez.


No sé tú
pero yo quisiera repetir
el cansancio que me hiciste sentir
con la noche que me diste
y el momento que con besos construiste.


No sé tú
pero yo te he comenzado a extrañar
en mi almohada no te dejo de pensar
con las gentes mis amigos y las calles,
sin testigos.


No sé tú
pero yo te busco en cada amanecer
mis deseos no los puedo contener
en las noches cuando duermo
sin insomnio yo me enfermo.
Me haces falta, mucha falta,
no sé tú…


… O poente nosso de cada dia…

Muitas vezes, um livro; outras, algumas canções e respectivas letras…
É o bastante para seguir pelo areal fora em busca de mais um pedaço de mim…
Caída a noite, chego-me ao belo fogo na areia, aninho-me na manta de sempre, olho o céu e conto as estrelas…
Amanhã é outro dia…

RIC

terça-feira, 21 de agosto de 2007

For Lisbon lovers...

«Greater Lisbon» seen from far up in outer space
(The red square shows the place I call home)

Here's my little «red square»

No longer Tagus, not yet Atlantic…


From the black leaning tower on the left to the Discoveries Monument on the right – the waterfront of a lifetime

… «And the night begins to be real»…


Under full moon's spell...


RIC

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Franz Peter Schubert


Desenho de Leopold Kupelwieser, 1813

O compositor austríaco do Romantismo nasceu a 31 de Janeiro de 1797 em Himmelpfortgrund – hoje parte do município distrital vienense de Alsergrund – e faleceu a 19 de Novembro de 1828, em Viena.

Em audição:

Trio para piano, violino e violoncelo n.º 2 em Mi bemol maior, op. 100, Deutsch 929, 2.º Movimento, andante con moto

Trata-se de uma canção folclórica sueca do género marcha, cujo tema atravessa todo o movimento.
Segundo o manuscrito original pertencente à família Wittgenstein, este trio foi escrito em Viena, em Novembro de 1827.
A sua primeira execução pública decorreu no mês seguinte, na imponente sala vienense do Musikverein. Uma segunda execução, organizada pelo próprio compositor, teve lugar na mesma sala em Março de 1828.

A banda sonora de Barry Lyndon (1975) de Stanley Kubrick (com Ryan O'Neal e Marisa Berenson) contribuiu para a divulgação junto do grande público não melómano de várias composições e compositores ditos eruditos, como aliás outros realizadores e outros filmes o haviam já feito, faziam e continuaram a fazer, como por exemplo:

• Luchino Visconti, Morte a Venezia (1971), Adagietto da 5.ª sinfonia de Gustav Mahler;
• Claude Lelouch, Les Uns et les autres (1981), Bolero de Maurice Ravel;
• Sydney Pollack, Out Of Africa (1985), Adagio do concerto para clarinete e orquestra em Lá maior de Wolfgang Mozart.

A versão que se ouve é a adaptação feita para o filme por Leonard Rosenman, e tocam:

• Ralph Holmes, piano;
• Moray Welsh, violino;
• Anthony Goldstone, violoncelo.

Para os muitos mais pormenores envolvendo a vida e a obra de Schubert é só começar pela Wikipédia, por exemplo. O texto alemão é, a meu ver, muitíssimo completo, mas o inglês não lhe ficará muito atrás.
Quanto ao desenho que abre este édito, escusado será dizer que é muito controverso: poucos acreditam tratar-se do verdadeiro Schubert aos 16 anos, atendendo a toda a iconografia posterior existente que nos mostra o músico bem menos favorecido pela beleza física. A da alma é para sempre incontestável. Mas aqueles tempos eram românticos por excelência…

Espero que gostem e apreciem!

RIC

domingo, 19 de agosto de 2007

Rangiroa? Definitely!










Rangiroa, which means "Far Sky" in Tuamotuan, is an atoll of the archipelago of Tuamotu in French Polynesia and one of the largest in the world.
It is located at approximately 350 km in the North-East of Tahiti, in the Palliser group. In its high limits of size the lagoon is 80 km long and 32 km wide, and its maximum depth is only 35 meters. It is so large that it has its own horizon…
The atoll consists of about 250 islands, islets and sandbars comprising a total land area of about 170 square km, and there are approximately 100 narrow passages, called «hoa», in the reef.

Paradise on earth, wouldn't you say?…
This is what I call true evasion!
Enjoy it lavishly!
I wish I were on Rangiroa right now!…

RIC (with a little help of Wikipedia)